Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 06/01/2021

Durante o período do Renascimento Cultural, crianças estarem acima do peso era considerado algo positivo, visto que representava ostentação alimentícia em uma época em que muitos passavam fome. Atualmente, a sociedade já está ciente dos malefícios trazidos pela obesidade infantil, todavia, esse quadro se configura como um problema de saúde pública no Brasil. Nesse contexto, é necessário avaliar as principais causas e consequências da obesidade na infância.

Diante desse cenário, cabe destacar o princípio da justa medida, proposto por Aristóteles, o qual classifica virtude como o equilíbrio entre o excesso e a falta. Assim, a obesidade infantil vai contra a virtude aristotélica, visto que é caracterizada pelo excesso de gordura corporal em crianças de até 12 anos. Sob tal ótica, a rotina sobrecarregada dos pais os levam a fornecer aos filhos alimentos industrializados, sem preocupação nutritiva saudável, como fast foods. Associado a isso, a preferência das crianças por eletrônicos, como vídeo games, ao invés de atividades, a exemplo do futebol, gera um quadro de sedentarismo, outra causa que contribui para o aumento de peso desses indivíduos.

Outrossim, segundo o psicanalista Freud, as experiências das idades iniciais têm forte influência na vida adulta dos indivíduos. Nesse sentido, crianças acometidas pela obesidade infantil sofrem as consequências tanto em sua infância, quanto em seu futuro. Tendo em vista tal fato, os obesos sofrem discriminação, bullying e desenvolvimento de depressão e baixa autoestima. Esses preconceitos se manifestam devido aos padrões de beleza difundidos pelas mídias, os quais são pautados na magreza. A exemplo disso, a série “My Mad Fat Diary” retrata a vida de uma jovem obesa, a qual relata em seu diário a difícil experiência em lidar com o próprio corpo.

Diante do exposto, combater a obesidade infantil no Brasil é um desafio que requer ações compartilhadas. Para tanto, a família deve auxiliar na melhor alimentação dos filhos por meio da separação do tempo de sua rotina para preparo de alimentos nutritivos, retirando os industrializados de sua dieta. Ademais, os responsáveis também precisam incentivar os filhos a praticarem exercícios físicos, como ginástica e natação, bem como fornecê-los acompanhamento médico geral ou nutricional, a fim de desde as idades iniciais incentivar o consumo de refeições saudáveis e retirá-los dos casos de sedentarismo para evitar futuros casos de obesidade. Dessa forma, será possível garantir uma alimentação saudável às crianças e diminuir os índices de obesidade infantil.