Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 07/01/2021

O documentário “Muito além do peso”, retrata as inúmeras consequências que a obesidade tem causado sobre a parcela infanto-juvenil da população brasileira e, ao mesmo tempo, o papel de manipulação que a mídia exerce sobre os hábitos alimentares dessas pessoas. Nesse contexto, a inoperância estatal e, também, familiar contribui para a expansão desse empecilho, que caotiza ainda mais o setor de saúde pública. Logo, nota-se que esse cenário auxilia para o surgimento de várias patologias e, assim, compromete o bem-estar das crianças e dos adolescentes.

É pertinente abordar, a priori, que a obesidade é uma doença multifatorial, que resulta de diversas circunstâncias, como as condições socioculturais e econômicas. Destarte, a incapacidade do Estado e da família em ofertar projetos consistentes que respaldem na educação alimentar e corporal colabora para a degradação da saúde desses indivíduos, uma vez que essas instituições isentam-se de qualquer responsabilidade e, com isso, cooperam para a proliferação, entre os jovens, de hábitos pautados no consumo excessivo de produtos industrializados e no sedentarismo. Assim, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma em cada grupo de três crianças, com idade entre 5 e 9 anos, está acima do peso no País e, desse modo, ratifica-se um desrespeito às diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, já que os cuidados com o bem-estar deles são negligenciados.      Por conseguinte, é evidente que a disseminação dessa epidemia mundial ganhou ainda mais força com o advento das propagandas midiáticas e, com isso, as crianças tornam-se mais suscetíveis ao consumo de produtos com alto teor de gorduras e açúcares. Esse fato consoa com o que foi proposto pelo filósofo Theodor Adorno e o conceito de “Indústria Cultural”, segundo o qual a publicidade utiliza a persuasão constante, a fim de moldar um comportamento de compra e, dessa maneira, as crianças são as mais propensas a tal tipo de manipulação comportamental e alimentar, isso tudo, devido à ausência de um senso crítico formado. Dessarte, o excesso de peso e a obesidade tende a ocasionar maiores ricos para o desenvolvimento de doenças, como o diabetes e a hipertensão.

Depreende-se, portanto, que a obesidade no Brasil advém a inaptidão do Estado e do ideal capitalista da mídia. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, por meio de maiores verbas, deve desenvolver programas que adentrem a esfera social e escolar, com intuito de conscientizar as pessoas e, sobretudo, o público infanto-juvenil sobre os cuidados necessários com o corpo. Tudo isso, mediante a capacitação de profissionais, como os de educação física e nutricionistas e, com isso, ofertar palestra e campanhas tanto nesses ambientes, como também nas infovias e, assim, realocar o papel da mídia e tornar o meio social adequado para o cuidado com o bem-estar.