Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 08/01/2021

Em 1988, representantes do povo, reunidos em Assembleia Constituinte, estabeleceram dois direitos: a saúde e a proteção à infância. Ocorre que a epidemia de obesidade infantil impede que meninos e meninas usufruam de ambos os direitos constitucionais. Nesse sentido, o combate à doença no Brasil passa pela reeducação alimentar e pela desconstrução do culto midiático aos alimentos ultraprocessados.

Sob uma primeira análise, os hábitos alimentares das crianças inviabilizam a luta contra a obesidade. Nesse viés, a indústria alimentícia baseia seus produtos a partir da gordura hidrogenada —capaz de aumentar o sabor, a durabilidade e reduzir o custo da produção. Todavia, a saúde infantil fica prejudicada ao consumir alimentos industrializados, já que ocorre aumento do colesterol ruim, conhecido como LDL. Dessa forma, não é razoável que meninos e meninas brasileiros estejam vulneráveis à insegurança alimentar.

De outra parte, a influência midiática dá lugar à tendência de sobrepeso entre as crianças. Sobre isso, o filósofo alemão Theodor Adorno desenvolveu o conceito de Indústria Cultural, segundo o qual a publicidade utiliza a persuasão constante, a fim de moldar um comportamento de compra. O problema é que as crianças estão muito mais suscetíveis às cores, às músicas e às demais estratégias denunciadas por Adorno e não possuem discernimento das consequências de uma alimentação irresponsável, baseada em “fast-foods”. Assim, enquanto o culto à comida superprocessada se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com uma das mais graves doenças do século: a obesidade infantil.

Para combater o problema, portanto, as escolas —no exercício do seu papel social — devem contribuir com a reeducação alimentar das crianças, por meio de projetos pedagógicos como oficinas e aulas lúdicas, capazes de mostrar as consequências negativas dos “fast-foods”. Essa iniciativa poderia se chamar “Crescendo com saúde” e teria a finalidade de construir hábitos alimentares sadios, de sorte que, em breve, o Brasil experimente uma sociedade justa, solidária e livre da obesidade infantil