Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 11/01/2021

Segundo o escritor realista Machado de Assis, “o menino é o pai do homem”. Tal discurso explicita que os valores e comportamentos adquiridos na infância serão refletidos ao longo da vida adulta. Por isso, no que tange a questão da saúde, associada à obesidade, é preciso atentar-se com o comportamento adotado pelas crianças para que tenham estilos de vida mais saudáveis. Logo, entender que essa realidade é uma questão de negligência social é o primeiro passo para combater essa problemática.

Em primeiro plano, a inserção das crianças ao meio tecnológico e midiático atual resulta em hábitos que estimulam o sobrepeso. Nesse sentido, em um contexto em que a violência urbana se mostra presente no corpo social, o isolamento infantil pode parecer uma alternativa segura, mais não tão saudável. Isso pois, a substituição de brincadeiras ao ar livre por novos meios de entretenimento como a televisão, video games e jogos virtuais insere essa faixa etária em uma rotina pouco produtiva e sedentária. Somado a isso, a indústria alimentícia, em especial os “fast-foods”, mediante propagandas e o uso de personagens impactantes, alia-se aos valores da Indústria Cultutal dos filósofos Adorno e Horkheimer, em que o intuito da mídia é perpetuar padrões, já que refeições atrativas despertam o apetite desses consumidores. Diante disso, o baixo adestramento físico e o excesso de alimentos ricos em lipídeos e carboidratos elevam os riscos da obesidade precoce, pois, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa mazela cresceu mais de dez vezes nos últimos quarenta anos.

Ademais, a pouca integração da família e da escola dificultam o combate desse problema. Consoante à ideia de “habitus” do sociólogo Pierre Bourdieu, essas instituições constituem o primeiro nível de socialização, responsável por desenvolver a personalidade das crianças que, nesse contexto, equivale ao incentivo à alimentação saudável e à prática de exercícios físicos. Todavia, esse ideal se mantem utópico, pois a falta de políticas escolares que buscam realizar debates de conscientização dos responsáveis corroboram para a manutenção da obesidade nessa faixa etária. Logo, se não há ações de prevenção e comprometimento, não há, também, como amenizar tal situação.

Diante do exposto, percebe-se os entraves no combate ao sobrepeso infantil e a necessidade de medidas que revertam tal quadro. Para tal, urge que a OMS delimite a atuação publicitária das indústrias de alimentos, criando leis e tratados que estabeleçam regras para a influência desse público, a fim de minimizar o incentivo à alimentação desequilibrada. Além disso, cabe às escolas conscientizar as famílias, mediante debates com nutricionistas, no intuito de informar a coletividade acerca dos malefícios do sedentarismo para as crianças e oferecer apoio na construção de dietas saudáveis e atrativas. Dessa forma, será possível conter o avanço desse problema e minimizá-lo.