Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 13/01/2021

‘‘Uma das características da cultura é tornar normal o que não é.’’ A afirmação atribuída ao historiador brasileiro Leando Karnal representa facilmente a obesidade infantil, já que, apesar da cultura normalizar esse quadro prejudicial  ao infante, esse pensamento deturpado  deve ser combatido no espectro social. Nesse sentido, é evidente que essa realidade tem origem na mentalidade capitalista que prioriza o lucro em detrimento ao bem-estar do indivíduo. Assim, entre os fatores que aprofundam esse panorama estão a falibilidade educacional e a manipulação midiática.

Constata-se, a princípio, que a omissão escolar, aliada ao  pensamento que prioriza o capital, enrijece o quadro de obesidade infantil. Isso se deve ao fato de que as instituições educacionais preparam o cidadão para que ele consiga ingressar no mercado de trabalho. Dessa forma, elas não retratam, na maioria das vezes, a temática alimentação, pois esse assunto, em um imaginário tecnicista, não é essencial para a formação social do infante. Consequentemente, essa omissão escolar aumenta a obesidade infantil na sociedade, haja vista que as crianças não foram educadas a terem uma alimentação sadia. Ilustra-se essa situação por meio da pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, a qual comprova que essa realidade é crescente, pois as escolas não a aborda.

Ademais, é inquestionável que a manipulação midiática, em conjunto ao pensamento capitalista, alicerça a obesidade infantil. Isso ocorre, tendo em vista que a mídia é controlada por empresas que a utilizam como um meio de persuasão para vender seus produtos alimentícios. Desse modo, ela não se preocupa com os danos causados pelo consumo de seus produtos ultraprocessados pelas crianças. Dentro dessa perspectiva, nota-se que essa manipulação aumenta a obesidade infantil, uma vez que esse público não tem uma opinião crítica formada, a fim de resistir a esse mercado e, por conseguinte, entram nesse quadro de consumo vicioso. Esse pensamento é análado ao apresentado pelo jornalista José Tranferetti, para quem: ‘‘Mais do que informar, mídia e tecnologia manipulam, deformando’’, haja vista que é essa a alienação a responsável pela deformação da qualidade de vida do infante.

Pode-se inferir, portanto, que a obesidade infantil é fruto inegável da mentalidade capitalista consolidada no tecido social. Para solucionar essa problemática, o Governo Federal deve atuar por meio do ‘‘Plano Nacional de Combate à Obesidade’’ que irá propor ao Congresso Nacional a elaboração de leis que incluam na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) projetos realizados nas escolas por nutricionistas responsáveis pela educação alimentar desses cidadãos, a fim de que a obesidade infantil seja cessada. Além disso, o ‘‘Plano’’ deve, em parceria com as empresas midiáticas, divulgar as consequências da obesidade para o infante, a fim de combater a normalidade expressa por Karnal.