Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 27/03/2021

O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisa os desafios do combate à obesidade infantil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade social vivenciada por muitos brasileiros. Problemáticas como essas são potencializadas ora pela inércia estatal, ora pela má formação socioeducacional do brasileiro.

Em primeira análise, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, a sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados à campanhas que alertem os pais e informem acerca da obesidade infantil e os malefícios que essa pode acarretar ao público infanto-juvenil são ínfimos. Por conseguinte, sem o devido amparo governamental e o excessivo incentivo midiático aludindo à alimentos processados, são fatores contribuintes para  o aumento da obesidade infantil e, consequentemente, o aparecimento de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão e colesterol alto, causando um desequelíbrio social.

Outrossim, o escritor escocês David Hume afirma que a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento. No entanto, algumas instituições de ensino vão de encontro ao pensamento de Hume, visto que esses âmbitos pouco preparam os indivíduos acerca de problemas sociais, como a orientação de como amenizar e detectar o que causa a obesidade precoce na fase infanto-juvenil, fator esse agravado pelo descaso educacional, que pouco desenvolve políticas que incentivem a prática de exercícios e a alimentação saudável entre os jovens.

Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja menos desafios para o combate da obesidade infantil. Para tanto, por intermédio de verbas públicas, urge que o Estado, aliado a mídia, promova campanhas que que informem e orientem os pais acerca dos causadores e os malefícios da obesidade, que esses debates sejam ministradas por nutricionistas e educadores físicos , com o intuito de que os pais possam orientar as crianças com uma alimentação mais saudável. Ademais, é importante que o Ministério da Educação (Mec), por meio de agentes pedagógicos preparados, insira nas grades curriculares políticas de prevenção contra a obesidade infanto-juvenil, como o direcionamento para uma alimentação balanceada e que a prática de exercícios físicos seja rotineiro, com o intuito de que menos pessoas possam ser acometidos por problemas decorrentes da obesidade. Com isso, o ideal proposto por Nietzche poder-se-á tornar realidade.