Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 08/02/2021

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a toda criança o direito à vida e à saúde. No entanto, a realidade observada no cenário brasileiro atual vai de encontro as garantias presentes no ECA, tendo em vista o alarmente número de crianças obesas. Dessa forma, faz-se necessária uma análise dos desafios do combate a esta problemática, como o mau exemplo dos pais no que se diz respeito a uma dieta balanceada, além da inoperância estatal.

Em primeiro lugar, vale destacar a influência parental acerca de hábitos alimentares não saudáveis sobre os filhos. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e agir, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a obesidade infantil pode ser encaixada na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive com uma familía que apresenta más escolhas alimentares, tende a adotar um comportamento maléfico à própria saúde devido a convivência em grupo. Assim, a falta de incentivo à adoção de um estilo de vida marcado por uma alimentação equilibrada e a práticas de exercícios físicos, transmitida de geração em geração, funciona como uma forte base no agravamento deste problema no Brasil.

Além disso, é importante salientar a negligência estatal como um empecilho à resolução da questão. De acordo com o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado assegurar a garantia dos direitos dos cidadãos. Contudo, percebe-se um afastamento do Estado brasileiro do cumprimento de tal dever, uma vez que são praticamente inexistentes as políticas públicas de enfretamento do excesso de peso que acomete notória parcela da população infantil. Fica clara, dessa maneira, a necessidade de mudança por parte das autoridades públicas, pois, além dos fatores de risco associados a esta condição médica, como os problemas cardiovasculares, que podem onerar o sistema de saúde público, é preciso que seja assegurado, de fato, o direito à saúde aos cidadãos, como afirma Locke.

Portanto, com o objetivo de previnir a obesidade infantil, o Ministério da Educação deve promover a adoção de um estilo de vida mais saudável, por meio de oficinas e palestras sobre a temática a serem ministradas nas instituições de ensino infantil. Isso deve ser feito, especificamente, através da contratação de profissionais especialistas na área, como os nutricionistas, e também contar com a participação da comunidade familiar para que as ações possam ser realmente efetivas.  Ademais, a fim de restringir o apelo ao consumo de produtos ultraprocessados e calóricos — causa direta da obesidade nas crianças —, o governo federal deve regulamentar as propagandas de tais gêneros alimentícios nas mídias de comunicação. Espera-se, assim, a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados no ECA.