Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 17/04/2021
Na obra ¨Utopia¨, do escritor inglês Thomas More, é idealizada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o que se observa no cenário contemporâneo é o oposto do que prega o autor, uma vez que a obesidade infantil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário alarmante é fruto tanto da negligência governamental, quanto da displicicência midiática. Dessa maneira, medidas mais arrojadas do Poder público e da sociedade civil são essenciais para solucionar essa problemática.
Em primeira análise, é imprescindível pontuar a carência de medidas governamentais para combater o excesso prejudicial de peso nas crianças do Brasil. Isso é negativo, pois muitas vezes, esse tema não é devidamente abordado nas instituições educanionais, o que gera a desinformação sobre os reais riscos da obesidade e seu consequente avanço de forma exponencial. Nesse contexto, segundo uma recente pesquisa do Ministério da Saúde, 8,4% dos adolescentes são obesos e mais de 30% das crianças apresentam excesso de peso. Essa realidade preocupante reflete a urgência de uma mudança na postural estatal para conter essa lástima e evitar um possível caos na estrutura de saúde brasileira.
Ademais, é fulcral analisar o descaso midiático como impulsionador do problema. Nessa perspectiva, segundo Karl Marx, os meios de comunicação em massa - liderados pelos interesses burgueses que buscam apenas o lucro, controlam e influenciam o pensamento e comportamento social, causando no indivíduo a necessidade constante do consumo e o “fetichismo da mercadoria”, assim exposto pelo sociólogo, atribuindo qualidades nem sempre condizentes com a realidade apenas para conseguirem vender o produto. Outrossim, por meio das intensas propagandas, muitas empresas atribuem ao produto, rótulos que associam personagens conhecidos de desenhos à felicidade de adquirir seus alimentos, colocando até brindes para as crianças, o que acaba desenvolvendo a necessidade de consumir seus alimentos por interesse nos prêmios recebidos, e não pela comida em sí. Logo, esse inaceitável quadro gera a alta no consumismo e contribui para o triste avanço da obesidade infantil.
Destarte, é notório que medidas mais arrojadas são importantes para combater esses obstáculos. Para isso, o Governo Fedreal, por meio do Tribunal de Contas da União, deve disponibilizar mais verbas com o intuito de promoverem mais palestras e cursos em escolas públicas e privadas, contando com o auxílio de médicos e nutricionistas, com o fito de capacitarem os professores e assim, ensinarem, desde cedo, a importância de uma alimentação saudável atrelada a práticas físicas para redução da obesidade infantil. Com isso, além de diminuir o índice de crianças obesas no país e evitar possíveis consequências desse problema, a sociedade poderia alcançar a coletividade utópica de Thomas More.