Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 22/04/2021

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o número de crianças obesas cresce,  sendo uma em cada três. Sob essa ótica, percebe-se, no Brasil, desafios para consolidar uma massa infantil saudável, tendo em vista a facilidade para contrair a obesidade, pois essa doença encontra terreno fértil na configuração contemporânea, marcada pelo crescente uso de alimentos industrializados, o que tem impacto nas crianças, que ainda não desenvolveram um pensamento racional crítico.Nesse sentido, devido à má influência midiática e à base educacional lacunar, emerge um desafio social.

Em primeiro plano, destaca-se a manipulação comportamental favorável a obesidade feita pelos meios midiáticos, o que influencia a mentalidade das crianças que são, geralmente, facilmente manipuladas. A esse respeito, o filósofo Pierre Bourdieu afirma que os mecanismos democráticos e públicos não podem ser convertidos em instrumentos de manipulação. Nessa lógica, entretanto, é evidente que os meios midiáticos, muitas vezes, favorecem o desenvolvimento de obesidade infantil, porque usam, de forma excessiva, propagandas, por vezes ligadas ao mundo ficcional de desenhos infantis, para conquistar a criança e, logo, impor ideais de consumo de alimentos pouco saudáveis. Dessa forma, o aumento de crianças acima do peso saudável relaciona-se ao modo de convencimento capitalista instituído na modernidade social.

Além disso, a educação deficitária fornecida por muitas escolas também contribui para a perpetuação da problemática, o que fere o princípio de construção de uma sociedade equilibrada no que se refere a ingestão de alimentos. Sob esse viés, o teólogo Rubem Alves defende que as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, haja vista a possibilidade de promoverem libertação ou incompreensão. Nesse contexto, os colégios públicos podem facilitar a obesidade entre as crianças, ao não estimular a construção de uma mentalidade consciente, por intermédio de atividades lúdicas educativas, que ensinem uma educação alimentar.Nessa perspectiva, esse cenário pode ser evidenciado, por exemplo, na inexistência de uma disciplina escolar que trabalhe com essas habilidades racionais de consciência.

Portanto, necessita-se combater esse entrave. Posto isso, cabe ao Ministério da Saúde, associado ao Ministério da Educação, formular aulas de educação alimentar, por meio do apoio educativo de professores de biologia, com a finalidade de construir uma conscientização alimentar nas crianças. Ademais, destaca-se que nessas aulas também seja ensinada a forma de se comportar em meio as inúmeras propagandas veiculadas nas mídias e, assim, evitar que a manipulação midiática domine a mentalidade das crianças.Dessa maneira, possivelmente, a obesidade será coibida no país.