Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 05/05/2021
No filme norte-americano “Matilda”, do ano de 1996, Micael, o irmão da personagem principal, é uma criança que apresenta uma rotina com ausência de exercícios físicos e uma alimentação ruim. Assim como a narrativa estadunidense, muitas crianças brasileiras apresentam esse estilo de vida, que acarreta o aumento de casos de obesidade infantil, quadro o qual o país tenta reverter. Desse modo, é lícito afirmar que a submissão do paladar infantil para com alimentos ultraprocessados e o sedentarismo no cotidiano das crianças dificultam a luta contra a problemática.
Diante disso, percebe-se que há uma mudança no comportamento cultural brasileiro, onde é cada vez mais comum a presença de alimentos industrializados nas dietas infantis. Consoante a isso, o pediatra Daniel Becker defende que a comida ultraprocessada é a grande vilã na luta contra a obesidade infantil. Logo, isso pode ser explicado, pois esses produtos são feitos com o objetivo de serem mais saborosos e práticos a que uma refeição caseira. Em face disso, esses passam a ser mais ingeridos pelas crianças, o que inicialmente pode aparentar ser uma boa opção. Entretanto, os alimentos industrializados estão repletos de componentes que colaboram para a obesidade infantil, e, consequentemente, o aumento do risco de doenças cardiovasculares no futuro.
Ademais, o tempo que as crianças passam assistindo televisão junto a ausência de exercícios físicos no cotidiano aumentam o sedentarismo infantil no Brasil. Segundo dados disponibilizados por um trabalho realizado na Cidade do México, a cada uma hora por dia passada em frente à televisão, aumenta em 12% o risco de desenvolver obesidade. Então, nota-se que, ocasionalmente, essa prática colabora para a menor realização de atividades físicas pelas crianças. Além disso, há um grande número de comerciais que induzem a ingestão de alimentos altamente calóricos, que se mostram mais atrativos a que os saudáveis. Nesse sentido, é notável os prejuízos de crianças sedentárias.
Portanto, é imprescindível a tomada de medidas interventivas que ajudem a mudar algumas atitudes que colaboram com a obesidade infantil. Assim, cabe as famílias darem uma educação alimentar que ensine as crianças sobre o que é saudável. Como também, cumpre ao Ministério da Saúde auxiliar nesse processo, por meio de propagandas em canais abertos com personagens em animação que façam refeições saudáveis, a fim de influenciar as crianças a fazerem igual a eles. Dessa maneira, talvez o número de “Micaels”, no Brasil, diminuirá.