Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 18/05/2021

Brás Cubas, o personagem do livro “Memórias Póstumas”, de Machado de Assis, afirma que não desejou ter filhos para não transmitir a miséria da sociedade a nenhuma criatura. Séculos mais tarde ele provavelmente teria a mesma decisão, pois cerca de um terço das crianças sofre de obesidade, segundo o Ministério da Saúde. Tendo isso em vista, percebe-se que existem diversos desafios para o combate ao excesso de peso entre juvenis, entre as causas está a má alimentação e a dependência tecnológica.

Em primeiro lugar, a alimentação inadequada deve ser considerada umas das causas da obesidade infantil. Segundo a Dra Maria de Albuquerque, diretora do Centro de Recuperação e Educação Nutricional, é durante os primeiros 3 anos de vida que uma pessoa tem o paladar alfabetizado, ou seja, é nesse período que os gostos alimentares são desenvolvidos. Nesse sentido, desde o nascimento muitas crianças são ensinadas a criar gosto por alimentos com muitos condimentos e sabores, o que na maior parte das vezes são muito calóricos e pouco nutritivos. Esse comportamento impacta toda a vida dos jovens, pois, quando estimulado, durante o resto da infância, pode dificultar a ingestão de alimentos saudáveis (como frutas e legumes), além de promover o aumento do peso, que pode causar diabetes, pressão alta e gordura no fígado.

Somado a isso, a acomodação tecnológica é outro desafio do combate à obesidade infantil. Com pais cada vez mais ocupados, atarefados e sufocados pelo trabalho, a tecnologia surge como uma “mão na roda” para a distração das crianças, pois é simples e elas gostam. Transformando, assim, os telefones como as novas “babás” do século XXI. Sendo assim, as brincadeiras de rua, os esportes e as atividades físicas, foram sendo substituídas por horas na frente das telas. atitudes , nas quais, não gera só sedentarismo, mas também é facilitador do ganho excessivo de peso e de problemas cardíacos e respiratórios.

Portanto, medidas devem ser tomadas para superar esses desafios relacionados à obesidade infantil. Por isso, o Ministério da Saúde deve desenvolver campanhas sobre como os hábitos alimentares da garotada impactam na saúde deles, por meio da criação de páginas nas redes sociais, local em que nutricionistas e culinaristas levariam dicas práticas sobre como montar um cardápio fácil e acessível para bom desenvolvimento infantil. Tendo por objetivo, ajudar os responsáveis a promover uma dieta melhor para os pequenos, evitar doenças de idosos e o excesso de peso prejudicial à qualidade de vida. Acrescido disso, o Governo Federal deve criar áreas de lazer para a prática de atividades físicas e evitar que as crianças fiquem sedentárias. E, assim, mudar a visão do defunto autor sobre a geração de filhos.