Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 23/06/2021

Educação alimentar no mundo por que ainda é uma utopia diante da exploração do consumidor ?       Dos anos 1980 em que os casos de diabetes tipo II (relacionado à obesidade, e às doenças crônicas) iam a taxas de aproximadamente 0% aos dias atuais em que estima-se que haja uma criança obesa a cada três, nas idades de 5 a 9 anos; verifica-se que há uma urgência por mudanças nas políticas públicas de educação alimentar no mundo. E um dos pontos iniciais dessa discussão veio nos anos 1977 com o relatório Mcgovern e a necessidade de redução dos níveis de açúcares, gorduras e sal nos alimentos processados; visto que se tinham provas em laboratório sobre a ligação desses produtos às doenças cardíacas e a obesidade.

Perante o comitê montado em 1977 sobre a tentativa de regulamentar a publicidade de produtos com alto teor de açúcar para crianças, verificou-se que essa tentativa foi frustrada, visto que houve uma declaração conjunta da indústria junto aos canais de televisão, empresas de brinquedos e agências de publicidade de que a iniciativa era intrusiva à vida privada e ao livre arbítrio dos americanos. Opinião essa, que persiste até os dias atuais, uma vez que em 2002 a OMS propunha uma redução para 10% no conteúdo de açúcar dos ultraprocessados, e que no entanto teve a sua proposta modificada, próxima a sua aprovação, devido a uma pressão pelas empresas de alimentos.

E essa dificuldade judicial sobre publicidade predatória nas indústrias não é exclusividade da contemporaneidade, nos anos 1940 e 1950 em que as indústrias tabagistas influenciava milhares de jovens, com comerciais de TV, era explicita a manipulação da informação, com jovens atléticos e fumantes. Tanto naquela época quanto hoje com as indústrias de ultraprocessados e “fast foods” o que se verifica é que a falta de conhecimento da população sobre os riscos, e o enriquecido dessas indústrias em contraste ao aumento de problemas metabólicos crônicos em crianças devido a falta de regulamentações adequadas a saúde da população.

Portanto, percebe-se que a obesidade infantil é um problema de dimensões mundiais e cada Estado necessita impor uma regulamentação à indústria alimentícia para que essa forneça um produto ultraprocessado com um teor de açúcar e sal condizentes com o que é aceitável pelas grandes revistas médicas. E, além disso, os Ministérios da Saúde precisam encarregar alguns de seus órgãos regulatórios para fiscalizar e ofertar estratégias como: a diminuição das porções dos alimentos, a escrita dos problemas metabólicos advindos do consumo exagerado do produto ou mesmo veicular campanhas e cartilhas nas mídias sociais e na TV acerca das doenças metabólicas advindas da obesidade, para que haja reduções sobre a quantidade de crianças com diabetes do tipo II ou outros problemas crônicos.