Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 05/07/2021

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os cidadãos o direito à saúde e ao bem estar. Todavia, na prática, tal garantia não é plenamente efetivada na sociedade, uma vez que encontram-se desafios para combater a obesidade infantil no Brasil. Esse panorama preocupante ocorre não só devido à publicidade infantil, mas também pela cultura do sedentarismo presente no corpo social. Assim, faz-se essencial uma análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.

A princípio, cabe pontuar que a publicidade infantil colabora para o aumento de crianças obesas no Brasil. Isso porque, no que tange à alimentação, as propagandas voltadas ao público infantil, geralmente, estimulam padrões alimentares não-saudáveis para as crianças, por exemplo o hábito de ingerir alimentos ultraprocessados, o que, de certa forma, prejudicam massivamente a saúde dos pequenos, sendo, assim, passíveis de desenvolverem doenças crônicas, como diabetes e colesterol alto. Desse modo, nota-se que os versos de Carlos Drummond de Andrade - poeta modernista - os quais mencionam : " No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho “, estão relacionados com tal situação, visto que a influência da mídia é um obstáculo para combater a obesidade em crianças. Dessa forma, é substancial a mudança desse quadro.

Ademais, vale ressaltar que a cultura do sedentarismo contribui para a obesidade infantil. Nesse viés, convém abordar a industrialização e os avanços tecnológicos, ao longo dos séculos XX e XXI, os quais mudaram radicalmente o modo de vida da sociedade brasileira. Tendo em vista que, mediante esse novo estilo de vida, mais sedentário, com o uso constante de aparelhos eletrônicos, como smartphones e tablets, as crianças, muitas das vezes, não praticam atividades físicas. Esse problemático cenário traz como consequência o excesso de peso em crianças, que, por sua vez, pode impactar negativamente tanto a saúde física quanto psíquica, em razão destas estarem propensas a sofrer “bullying” e baixa autoestima. Logo, observa-se que essa conjuntura afeta a qualidade de vida dos jovens.

Portanto, atitudes para reversão desta problemática são necessárias. Dessa maneira, concerne ao Ministério de Comunicações em parceria com a mídia, principal veículo de opinião, informar às crianças o quanto uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos são fundamentais para a saúde, por meio de divulgações de videos dinâmicos voltados para o público infantil, que, sobretudo, deve sugerir alimentos naturais para consumo, como frutas e legumes, em função de sua importância, a fim de diminuir a obesidade em crianças no Brasil. Feito isso, será possível uma nação que possa desfrutar dos elementos elencados na Magna Carta.