Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 20/08/2021

‘‘Mordi, mastiguei e engoli dia após dia’’. Essas foram as palavras grafadas na epígrafe da obra ‘‘Garotas de Vidro’’. Sob autoria da escritora Laurie Anderson, a história retrata uma história sobre a auto repugnância e de jovens que sofrem de transtornos alimentares desde a infância. Sem desconsiderar o caráter distópico desse repertório, é nítido que a comparação excessiva é socialmente degradante e, enquanto a busca do corpo perfeito foi a causa de tanta barbárie na ficção, a ausência de educação alimentar e de atividades físicas têm sido um gatilho para o enfraquecimento social. A partir desse contexto, para entender as consequências da obesidade infantil, é imprescindível ir à origem dele.

Com efeito, percebe-se que, o crescimento da obesidade infantil em países subdesenvolvidos, como o Brasil, está diretamente associado ao acesso desigual aos alimentos de boa qualidade nutricional. A partir do pensamento do geógrafo Josué de Castro, para quem o problema da fome é fruto da má distribuição das riquezas no país, nota-se que as desigualdades socioeconômicas continuam reverberando na saúde da população. Isso persiste, porque a política do agronegócio visa à exportação da produção agrícola, enquanto o mercado interno é abastecido pela agricultura familiar, que possui pouca modernização e baixa produtividade. Prova disso está na histórica relação do brasileiro com a alimentação retratada até na ficção, no século XX, por João Cabral, quando denuncia a condição de Severino, um brasileiro vulnerável a várias mazelas pela baixa qualidade nutricional.

Ademais, observa-se que o maior desfecho maléfico em decorrência da obesidade infantil é a diabetes. Isso porque a obesidade é o principal fator que leva a diabetes tipo 2, doença crônica e progressiva, o qual a gordura leva à resistência periférica à insulina. Sob essa ótica, percebe-se que, infelizmente, doenças crônicas e fatais por consequência da obesidade, sobretudo a diabetes, têm sido empecilhos concretos. À vista disso, tal questão pode ser fundamentada, por exemplo, por meio de dados divulgados pela Agência Brasil, os quais apontam que estima-se que 4,2 milhões de pacientes morreram em razão de complicações derivados da diabetes.

Portanto, é evidente que os desafios do combate à obesidade fomentam um quadro de anomia social. Assim é fundamental que o Poder Executivo, mais especificamente o Ministério da Educação, fomente palestras e centros de apoio em todo o país. Tal iniciativa ocorreu por meio da implantação de um Projeto Nacional de Combate à Obesidade Infantil, o qual coordenará um programa educativo de conscientização em relação a hábitos alimentares corretos. Isso será feito a fim de proporcionar uma melhor vivência àqueles que não possuem condutas coerentes para possuir uma vida saudável.