Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 26/08/2021
Segundo o historiador Jacques Le Goff, especialista em idade média, a corpulência era associada ao poder aquisitivo e à saúde. Atualmente, no entanto, sabe-se que o sobrepeso está muitas vezes ligado a problemas fisiológicos, o que gera consequências negativas aos indivíduos, principalmente às crianças afetadas. Dentro desse contexto, existem diversos desafios para combater a obesidade infantil no Brasil, dentre eles o excessivo consumo de alimentos não saudáveis e o uso demasiado de aparelhos eletrônicos.
Em uma primeira perspectiva, o fato de a alimentação contemporânea possuir padrão pouco nutritivo contribui para um desenvolvimento infantil não muito saúdavel. Nesse quesito, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirma que o excesso de peso afeta uma a cada três crianças brasileiras, resultado dos hábitos de nutrição modernos. A esse respeito, a lógica de consumo atual, associada à espontaneidade, promove o aumento da comercialização de alimentos prejudiciais à saúde, como congelados, pré-cozidos e fast-food, o que torna as crianças cada vez mais obesas. Assim, a ingestão de comidas de baixa qualidade é uma das barreiras ao combate à obesidade infantil.
Por conseguinte, a utilização desmedida de celular, televisão e videogame relaciona-se diretamente aos índices de sobrepeso. Com base nisso, pesquisas realizadas pela Universidade de Quebec indicam que hábitos sedentários, intimamente relacionados ao uso demasiado de eletrônicos, estão contribuindo para a elevação dos índices de excesso de peso na infância. Nesse panorama, observa-se que o entretenimento gerado pelas mídias pode ser mais atrativo que a realização de outras atividades, como práticas esportivas — essenciais à saúde infantojuvenil, de acordo com a UNICEF —, de modo a favorecer o sedentarismo e a fomentar a obesidade infantil. Desse modo, fica evidente a necessidade de medidas que visem reverter os quadros de má alimentação e de excesso de brincadeiras eletrônicas.
Portanto, a família deve incentivar as crianças a praticarem hábitos alimentares saudáveis. Isso será feito por meio da redução da compra de comidas prejudiciais à saúde, como refrigerantes e processados, além da instrução dada aos jovens em relação às problemáticas ligadas à má alimentação, com a finalidade de proporcionar uma educação nutricional, em um amplo combate à obesidade. Além disso, a família precisa estimular a prática de atividades físicas, não permitindo que as crianças permaneçam muitas horas em frente a aparelhos eletrônicos, de modo a gerar um ambiente favorável ao confronto ao sedentarismo. Logo, fica nítido que somente com o desenvolvimento e com a aplicação efetiva de medidas de luta contra a obesidade infantil a população brasileira atenuará essa questão de saúde pública e os ideais medievais serão superados.