Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 18/11/2021
No documentário brasileiro “Muito Além do Peso” é demonstrado ,de maneira fidedigna, a atual preferência do público infantil à comidas industrializadas, bem como essa inclinação acaba por proporcionar,em muitas crianças,a obesidade.Em consonância com a obra cinematográfica,hodiernamente, os empecilhos para reduzir essa patologia,que está se tornando mais recorrente em jovens, ainda, configura-se como um desafio . Dessa maneira, estando entre os fatores responsáveis pela perpetuação da problemática não só a incúria familiar, mas também as propagandas direcionadas ao público infantil.
Em primeira análise, é indubitável considerar a interferência dos hábitos alimentares ,adotados pelos responsáveis do jovem, como um dos fatores que dificultam a atenuação do problema. Essa atitude vai de encontro ao pensamento de Arthur Schopenhauer, sociólogo alemão, ao afirmar que o maior erro que o ser humano pode cometer é sacrificar a sua saúde em detrimento de qualquer outra prerrogativa. Nessa perspectiva, a necessidade de medidas práticas e rápidas por muitas famílias, para corresponder ao ritmo da modernidade, possibilita que muitos progenitores negligenciam uma alimentação balanceada aos filhos, tendo em vista que optam, na grande maioria das vezes, por “fast foods” e comidas industrializadas, assim, permitindo que as crianças convivam com uma nutrição desbalanceada. Isso, por sua vez, mostra-se preocupante, já que esses alimentos ricos em carboidratos e lipídeos reforça a frase de Schopenhauer, pois um meio que deveria ser um facilitador, devido a praticidade, acaba por comprometer a saúde dos indivíduos, podendo causar além da obesidade, diabetes e hipertensão.
Em segunda análise, cabe destacar a influência da mídia voltada para o público infantil como um dos percussores do crescente panorama de obesidade infantil. Com efeito, tem-se uma analogia clara à “indústria cultural” propagada por Adorno e Horkheimer, sociólogos da escola de Frankfurt, ao afirmarem que as empresas adaptam os produtos para atenderem ao grande público, utilizando-se meios, como a propaganda, para garantir tal feito. Sob esse viés, os anúncios infantis de grandes indústrias alimentícias, geralmente, fazem o uso de cores chamativas, personagens de desenhos e brindes, a fim de persuadir as crianças a aderirem o produto. Desse modo, o público juvenil, ainda em fase de desenvolvimento psicológico, sente-se tentado a aderir o produto, tendo em vista que se sente reconhecido e identificado na propaganda, viabilizando a adesão de alimentos gordurosos e não nutritivos que podem, caso ingeridos em grandes quantidades, gerar a obesidade.
Destarte, mais medidas são necessárias para a resolução do impasse. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as mídias sociais, como o “Facebook”, realizar mais campanhas de combate a obesidade, por meio de anúncios publicitários, palestras de especialistas e debates, com o fito de que haja a conscientização dos responsáveis acerca da adoção de práticas alimentares mais nutritivas e saudáveis, a fim de minimizar os casos dessa patologia. Outrossim, cabe ao Ministério da Cidadania coibir a divulgação de certos comerciais direcionados ao público infantil, principalmente, aqueles que induzem ao consumo de alimentos ultraprocessados. Como efeito social, haverá cidadãos que prezam pela saúde, permitindo que a grande quantidade de casos de obesidade,relatados em ‘Muito Além do Peso”, sejam minimizados.