Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 11/11/2021
No livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, obra máxima do naturalismo, é construída uma alegoria do Brasil do século XIX, na qual os cortiços atuavam como estruturas biológicas que moldavam o caráter do homem e o levavam à degradação. Não distante da ficção, no Brasil do século XXI, a má alimentação define os hábitos alimentares contemporâneos e leva a expansão da obesidade infantil. Nesse viés, não só a influência midiática, mas também a negligência estatal são desafios ao combate dessa grave doença.
Em primeira instância, é válido analisar a responsabilidade da influência da mídia na obesidade infantil. Nesse contexto, Adorno e Horkheimer, sociólogos alemães da Escola de Frankfurt, desenvolveram a ideia de “Indústria cultural”, a qual concerne-se que a publicidade usa a persuasão com o objetivo de influenciar o comportamento de consumo. Diante disso, a indústria alimentícia utiliza as estrátegias denunciadas pelos frankfurtianos com cores, músicas e desenhos animados para manipular o público infantil -grupo vulnerável intelectualmente- e por consequência esse adquire o excesso de peso. Confirma-se, logo, que, enquanto a influência midiática prevalecer, a obesidade infantil será um problema no Brasil.
Além disso, a omissão governamental fomenta a obesidade infantil. Nessa perspectiva, a Constituição Federativa do Brasil, no artigo 196, afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Todavia, a pouca importância dada à necessidade de reduzir a obesidade, como a ausência de campanhas de conscientização e de prudência com essa enfermidade expandem o entrave, como, por exemplo, 8,4% dos adolescentes brasileiros estão obesos, preocupantemente, conforme o Ministério da Saúde. Evidencia-se, assim, que o aumento de crianças obesas vai de encontro aos direitos previstos na Magna Carta brasileira.
Torna-se visível, portanto, que combater os desafios da obesidade infantil é de suma importância para o desenvolvimento de uma nação saudável. Dessa forma, cabe ao Estado, com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), criar um setor no estatuto voltado à alimentação, por meio de fiscalizações em publicidades de alimentos calóricos voltados ao público infantil, que proíbam as mais persuasivas, bem como a realização de campanhas contra o sobrepeso, que divulguem os riscos à saúde e ao desenvolvimentoda criança, nas redes sociais, para os responsáveis, a fim de reduzir a influência da indústria alimentícia e tornar o governo um agento ativo com a questão e cumpridor dos direitos da Carta Maior. Com tais implementações, a alegoria do século XIX não se concretizará no Brasil do século XXI.