Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 17/11/2021
Para o filósofo Jean-Paul Sartre, “O ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir”. Essa visão, embora correta, não abrange todo o hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que há dificuldade em combater a obesidade infantil, sendo as crianças, influenciadas pelos pais e pela mídia a consumirem alimentos industrializados e não os estimulando a praticar exercícios físicos. Isso ocorre tanto em função da desigualdade social, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer e discutir os diversos estigmas dessas problemática, na propensão de solucioná-la.
A princípio, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jurgen Habermas, que consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, que demanda ampla informatividade prévia. Dessa forma, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam total conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir pela defesa pelo coletivo. Logo, os maus hábitos alimentares infantis, não podem ser aceitos em nome do combate, também, ao individualismo e zelo pelo bem grupal.
Ademais, o controle de dados impulsiona a indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segunda essa, a cultura de um local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda. Em virtude de manipulações por autoridades governamentais e, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo; uma vez que os elementos da cultura a serem difundidos são vinculados aos que têm mais poder de voz. Isso causa perda de identidade dos povos, que os levam ao apego a hábitos não saudáveis, como o consumo excessivo de açúcar, na tentativa de sentir-se melhor emocionalmente.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde em conjunto com o Sistema Único de Saúde, deve propor a criação de postos clínicos em todas as cidades brasileiras, com atendimento médico e psicólogo, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tais unidades têm como finalidade assegurar apoio gratuito aos que necessitam de auxílio para combater a obesidade e servirão para garantir hábitos mais saudáveis para esses. Como também, o Ministério da Educação, deve promover debates sobre os malefícios de não se alimentar bem e não praticar exercícios, para as escolas, para que as crianças e adolescentes passem a ter esse conhecimento prévio. Espera-se, com essa ação, o controle desse problema.