Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 18/11/2021
O documentário “Muito Além do Peso” expõe a epidemia de obesidade infantil emergente no Brasil, atrelando a essa problemática não só o índice elevado de massa corpórea, mas também as consequências à saúde da população pueril. Tal produção cinematográfica manifesta a urgência de reverter o cenário supradito com o intuito de prevenir o agravamento desse óbice. Nesse âmbito, é lídimo alegar que a disseminação de propagandas acerca de alimentos pouco nutritivos, bem como, a carência de informação sobre os malefícios da alimentação insalutífera são desafios no combate à obesidade infantil.
Primordialmente, nota-se demasiada influência da publicidade alimentícia no hábito alimentar de crianças, as quais possuem amplo acesso às plataformas de disseminação dessas propagandas. Nessa perspectiva, a citação do escritor britânico George Orwell “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa” reitera o poder da mídia em ditar determinados comportamentos, como o consumo de alimentos de baixo teor nutritivo. Desse modo, os comerciais midiáticos relativos à “junk food” incitam crianças a persistirem na má alimentação, contribuindo, assim, na perpetuação da obesidade infantil.
Outrossim, a incompreensão social e familiar acerca dos problemas decorrentes da alimentação insalutífera é, indubitavelmente, um fator relevante na manutenção da obesidade infantil. Segundo a nutricionista Ana Paulo Bortoletto da coalizão Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, as pesquisas demonstram a falta de informações claras sobre o que as pessoas comem, pois os alimentos industrializados possuem rótulos com uma linguagem científica. Nesse sentido, é necessário ensinar os indivíduos sobre o que eles ingerem ou elucidar os rótulos dos processados para que a família ou a sociedade conheçam o que oferecem para as crianças.
Portanto, incumbe à família proteger a criança da publicidade de alimentos a partir da introdução de materiais educativos nos seus celulares, tablets ou televisões e restringir o acesso a conteúdos que podem vir a promover propagandas do tipo, a fim de evitar a tentação das crianças para comer alimentos industrializados. Paralelo a isso, o Poder Legislativo deve sugerir a criação de uma lei que obrigue as empresas de alimentos processados a informar claramente ao consumidor o que ele consome a partir dos rótulos. Só assim, garantir-se-á a redução da obesidade infantil.