Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 05/09/2022

Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado promover medi-

das que garantam a saúde e o conforto social aos indivíduos. Todavia, os desafios no combate à obesidade infantil tornam a norma do autor uma utopia, visto que priva uma parcela social de desfrutar dos direitos preestabelecidos por Locke. Com base nesse contexto, faz-se necessário avaliar as causas da questão que, na maio-

ria das vezes, são a insuficiência das leis e a invisibilidade vigente.

Dessa forma, em primeira análise, cabe destacar a ineficácia legislativa como um fator determinante. Sob essa ótica, Gilberto Dimenstain, escritor e jornalista nacio-

nal, explica que as leis são inefetivas, o que gera uma falsa sensação de cidadania. A crítica do autor, de fato, consolida-se na hodiernidade, já que, mesmo com a pre-

sença de normas que garantam a saúde como um direito fundamental, os casos de obesidade e sobrepeso infantil no Brasil têm aumentado. Como exemplo disso, uma pesquisa do Ministério da Saúde, revela que mais de 33% das crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso. Tal fato compromete o bem-estar físico e mental dos indivíduos,pois o problema em questão pode trazer graves consequências, como diabetes, hipertensão e baixa autoestima. Assim, é urgente que a cidadania de pa-

pel - de que o jornalista fala - seja superada.

Ademais, a invisibilidade midiática da questão é um desafio presente na causa.Sob esse viés, a socióloga Djamila Ribeiro diz ser necessário fornecer visibilidade a uma situação para que soluções sejam promovidas. Há, no entanto, um silenciamento instaurado no que diz respeito à obesidade infantil no país, tendo em vista que esse assunto raramente é discutido na mídia nacional. Sob tal análise, vale ressal-

tar que os meios comunicativos apenas expõem alguns dados do problema, mas não o debatem de forma ampla. Com isso, informações importante não são transmitidas, como formas de evitar o sobrepeso na infância. Dessa maneira, urge tirar essa situação da obscuridade para agir sobre ela, como defende Djamila.

Portanto, é fulcral atuar sobre o óbice. Pra tanto, cabe ao Ministério das Comuni-

cações- regulador dos meios midiáticos- promover visibilidade à causa, por meio de programas televisivos, visando à exposição do tema. Outrossim, o Estado deve efetivar suas leis. Destarte, ter-se-á um Brasil semelhante ao ideário de Locke.