Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 31/03/2018

Estabelecida por Newton, a lei da inércia diz que a tendência dos corpos, quando nenhuma força é exercida sobre eles, é permanecer em seu estado natural. Trazendo esse conceito físico para o contexto da obesidade infantil no país, percebe-se que a inexistência de ações corrobora a persistência dessa problemática. Nesse sentido, vale ressaltar a ausência de programas educativos que influenciem na boa alimentação, bem como a publicidade abusiva ao qual as crianças são expostas.

“O importante não é viver, mas viver bem”. A máxima de Platão implica na importância da qualidade em que se vive de modo que ultrapassa a da própria existência. Visando esse conceito, percebe-se que a qualidade de vida, em questão, a da criança, não tem sido priorizada pelos meios de educação, já que pesquisadores apontam que pela primeira vez, as crianças de hoje terão uma expectativa de vida menor que a de seus pais. Nas escolas, onde as essas passam boa parte do dia, aulas que contam com a pratica de exercícios físicos se limitam em acontecer apenas uma vez na semana, ou são completamente extintas. Enquanto nas cantinas, encontram-se dos mais variados tipos de salgados fritos e refrigerantes. É recorrente também, o fato de os pais implantarem nas lancheiras dos filhos, produtos industrializados devido ao fator da praticidade.

Além disso, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atualmente, 33,6% das crianças estão acima do peso. Um fator que age como influente nesse dado é o setor de publicidade infantil. Associar alimentos calóricos com personagens infantis ou brindes, como brinquedos, tem sido, há muito tempo, um dos truques das agências publicitárias para atingir o público infantil. As crianças brasileiras passam três horas e trinta e um minutos, por dia, diante da televisão. Durante esse período, são incentivadas a consumir todo e qualquer tipo de alimento industrializado, e por possuir caráter persuasivo, as crianças são convencidas de prontidão pelo conteúdo publicitário. Certos produtos podem até serem associados à felicidade ou conquista de status entre os coleguinhas.

Portanto, para que uma força seja exercida sobre esse corpo inerte e haja mudanças, se faz necessário que o Governo Federal, junto do Ministério da Saúde, implante programas nas escolas no qual se promova uma alimentação equilibrada fornecida pela instituição, e que haja palestras, ministradas por nutricionistas, com a função de instruir os pais a participarem na educação alimentar dos filhos. Que seja implantado um sistema educacional que suscite aulas práticas de exercícios físicos durante três vezes na semana. Torna-se fundamental que o legislativo crie leis que limitem o abuso cometido pelas agências publicitarias alimentícias, impedindo que as mesmas vinculem imagens de personagens aos seus produtos. Dessa forma, será possível reverter essa problemática.