Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 31/03/2018

É incontrovertível que a década de oitenta, no Brasil, foi evidenciada pelo exacerbado índice de crianças desnutridas, marcando o início de uma  busca para reverter tal situação. Contudo, de forma antagônica, o contexto hodierno do país se notabiliza por uma enfermidade totalmente distinta, a obesidade infantil, que, distante de uma luta por mudança, é intensificada pelo comodismo social e estatal, fruto de um avanço tecnológico que desconstrói os vetustos modos de “ser criança” e de uma educação escolar engajada em termos técnicos em detrimento do estudo voltado à alimentação.

Em primeiro plano, é notório a intensificação da obesidade infantil como consequência da construção de seres cada vez mais sedentários voltados à utilização de mecanismos eletrônicos, deixando de lado as brincadeiras infantis.Desse modo, segundo a ideologia de Emile Durkheim, que visualiza uma coerção social sobre o indivíduo e suas atitudes, no qual esses devem seguir a norma e a regra para que sejam aceitos, é indubitável que muitas crianças deixam de lado as brincadeiras clássicas e dignas de reconhecimento infantil pelo fato de se sentirem excluídas se agirem de forma distinta da maioria.Dessa maneira, a corrida, o chute e o pulo é substituído pelo teclado digital e a tela da televisão,contribuindo para o acúmulo calórico e favorecendo o surgimento de doenças.

Além disso, a falta de uma educação que dê enfoque à questão alimentar contribui para a solidificação de um comportamento errôneo, pois, segundo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Utilizando como base de análise o documentário “Muito além do peso”, direção de Estela Renner, observa-se cenas reais de crianças que nunca tiveram um ensino voltado ao estudo alimentar, bem como,mesmo quando citado algo, é somente uma parte de um assunto na aula de educação física.Soma-se a isso, a incoerência do -pouco- abordado em sala e da merenda oferecida para os educando, rica em sódio, açúcares e pobre em vitaminas.Assim sendo, é evidente que diante de tal contexto torna-se improvável a construção de seres verdadeiramente conscientes e preocupados com a questão alimentar,fortificando,ainda mais,o crescente número de crianças obesas no Brasil.

Medidas são necessárias,portanto,para resolver o impasse. A Receita Federal, em parceria com o ministério da cultura, deve investir uma maior parcela dos impostos arrecadados na idealização de projetos que revivam as “antigas” brincadeiras infantis, além de construir centros voltados ao desenvolvimento de atividades motoras das crianças, objetivando a inibição do sedentarismo para a erradicação da obesidade infantil.Ademais, o ministério da educação deve acrescentar no conteúdo programático uma matéria específica que viabilize o estudo da alimentação humana, desde a pré-escola, além de procurar reformular o cardápio escolar, a fim de informar e construir seres conscientes.