Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 31/03/2018
É indubitável que a saúde do país está atrelada ao seu momento político. Consoante o médico Lair Ribeiro, se não houver tempo para cuidados com a saúde, necessitará de tempo para as doenças. Destarte, no que tange à sociedade brasileira, os problemas de saúde nas crianças, principalmente a obesidade, se fortaleceram com o consumo de comidas rápidas, viabilizadas pela globalização, e pelo valor do produto como autoafirmação do cliente frente à sociedade.
De início, cabe pontuar que a afinidade entre o consumo e a produção não é apenas fortalecida pela publicidade, como também pela abertura de mercado. Com a evolução da Guerra Fria, a necessidade de se adotar o jeito americano de se viver impulsionou a abertura de mercado de países como o Brasil, o que possibilitou a venda de produtos hipercalóricos mais barato do que a produção orgânica regional. À vista disso, torna-se explicável o fácil acesso dos industrializados até em regiões mais remotas, e, consequentemente, o sobrepeso e a obesidade de uma população desinformada. Assim, é notório que deve haver um controle na produção de alimentos que sejam gordurosos e na sua distribuição como remediante dos problemas de alimentação.
Além do mais, é importante salientar que a propaganda fomenta novos valores ao produto e à moral da sociedade. É nesse viés que o autor Jean Baudrillard escreve na sua obra “Simulacros e Simulações’’ sobre a concepção de novos valores sentimentais ao produto, ou hiper-realidade. Dessa forma, é possível entender como as crianças e os jovens necessitam de lanches ‘‘Fast-Foods’’ para se integrarem à novos estilos e grupos, o que, no entanto, possibilita o aparecimento de doenças como a ansiedade por novas aprovações e prazeres e até mesmo a obesidade. Sendo assim, é válido que haja uma discussão sobre o poder da publicidade na comunicação infantil, ao passo que esse entendimento da comida como fonte de aprovação seja desvinculado à sua real característica: a nutrição.
Fica evidente, portanto, que, assim como dito por Lair, deve haver mais prevenções com a saúde para não ocorrer futuras remediações. Em função disso, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente dos Reguladores de Propaganda, desassociar a venda de brindes como parte do combo da comida, de modo que as empresas passariam a vender os produtos separadamente, a fim de não incentivar o consumo entre as crianças, uma vez que os infantos são as maiores vítimas dessa mazela. Apenas desse modo o problema de obesidade seria mitigado.