Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 02/04/2018
A obesidade infantil é um problema de saúde pública que só aumenta no Brasil. Infelizmente, as causas de crianças e adolescentes estarem acima do peso vão desde o mau exemplo dentro de casa, pois os pais também não possuem hábitos saudáveis e não cobram isso de seus rebentos, até na escola, que é negligente diante da educação voltada para o consumo de comidas nutritivas e para a prática de atividades físicas. Assim, os pequenos de hoje caminham para um futuro de adultos cardiopatas, diabéticos e hipertensos.
Tal problemática se inicia com a falta de orientação nutricional dos pais desde antes do bebê nascer, passando pelo desmame precoce, seguido pela introdução de leite integral e farináceos antes mesmo dos seis meses de vida. Nessa perspectiva, o filósofo Hipócrates já alertava sobre a temática: “Que a comida seja o teu alimento e o alimento a tua medicina.” Ora, não há como diminuir os casos de doenças crônicas em adolescentes se estes continuam a consumir hambúrguer, refrigerante, batata frita e “milk shake” no lugar do arroz, feijão, carne e salada. A adoção de uma “dieta” rica em gordura, açúcar, sódio e conservantes que muitas famílias estão acostumadas a ingerir resulta em crianças obesas - segundo a OMS, os brasileiros entre 9 e 11 anos lideram o ranking mundial de obesidade infantil - e com sérios problemas de sociabilidade, pois são excluídas das brincadeiras no colégio e sofrem “bullying” pela sua aparência física.
Decerto, o papel que cabe à escola não tem sido desenvolvido com eficiência, a começar pelos lanches que são vendidos nas cantinas. Os industrializados são os alimentos mais procurados pelos adolescentes e, caso o seu consumo seja proibido dentro de casa, estão disponíveis sem restrição durante o recreio da garotada. Outrossim, os professores não desenvolvem aulas que detalhem a importância de se consumir hortaliças, legumes, grãos e carnes magras, não abordam com frequência sobre a obesidade e seus riscos e também não desenvolvem atividades físicas que chamem a atenção dos pequenos, como brincadeiras e jogos que estimulem a prática em grupo. Associado a isso, a tecnologia também contribui para que crianças e adolescentes sejam cada vez mais sedentários, pois eles preferem passar horas em frente ao celular, computador, TV e vídeo game do que se divertindo ao ar livre.
Destarte, para mitigar a questão da obesidade infantil, é preciso a atuação em conjunto da família e da escola. Cabe aos pais procurarem a ajuda de um nutricionista para que todos da casa mudem seus péssimos hábitos alimentares e incentivar as crianças no preparo das refeições, além de proibir o consumo em excesso de comidas processados, como os “fast food” e refrigerantes, a fim de que os seus rebentos tenham bons exemplos para seguir. É de extrema importância que a escola promova palestras sobre os alimentos que devem ser ingeridos e seus benefícios, desenvolvendo o plantio de hortaliças e aulas de culinária saudável. Só assim, o futuro do país não será de obesos, sedentários e diabéticos.