Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 01/04/2018

Na Idade Média era comum pessoas acima do peso serem retratadas, em pinturas e esculturas, como símbolos de saúde e prosperidade. Entretanto, é de conhecimento geral no Brasil contemporâneo, que a obesidade, principalmente a infantil, é um problema de saúde pública – ainda presente no país. Nesse contexto, deve-se analisar como a mídia e a família causam tal problema e como combatê-lo.

A mídia é a principal responsável pela manutenção da obesidade infantil no país. Isso porque, tal meio de difusão de informação implanta, conforme defendeu os filósofos Adorno e Horkheimer, a necessidade de consumo no público infantil, através de propagandas chamativas e persuasivas de alimentos industrializados. O filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, por exemplo, ilustra o papel apelativo que uma empresa de doces exerce para atrair o desejo das crianças. Por conseguinte, tais jovens, ao consumirem alimentos irregularmente, desenvolvem obesidade e aumenta-se o risco de adquirirem doenças, como apneia do sono e diabetes.

Além disso, nota-se, ainda, que a família também contribui para conservação da obesidade infantil. Haja vista que, devido a rapidez e efemeridade do cotidiano na pós-modernidade, consoante defendido pelo sociólogo Zygmunt Bauman, os pais não dispõem de tempo para controlar a alimentação do filho ou para incentivá-lo a fazer exercícios físicos. Por consequência disso, a população de crianças obesas expande-se, assim como as chances desses indivíduos desenvolverem transtornos de humor associados ao aumento de peso. Segundo a ABESO, cerca de 15% da população infantil brasileira está acima do peso.

Dado o exposto, fica evidente a iminência em cessar o avanço da obesidade infantil. Em razão disso, ONGs devem pressionar a mídia para que esta reformule seu conteúdo, através da adoção de campanhas de ficção engajada, como desenhos animados que disseminem a prática da alimentação saudável, com o intuito de despertar, nas crianças, o desejo por alimentos nutritivos. Ademais, o Ministério da Educação deve disseminar, nas escolas, palestras ministradas por nutricionistas, com o fito de informar os pais acerca da importância de ingerir alimentos benéficos para saúde e fazer exercícios físicos, para que, dessa forma possam incentivar seus filhos e mitigar a obesidade infantil.