Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 01/04/2018

Se antes a obesidade era considerada uma doença tardia, porque atingia com maior frequência a população adulta, hoje sabe que para se tornar obeso o que menos importa é a idade. Sendo assim, o número de crianças acima do peso aumentou consideravelmente nos últimos anos, um dado preocupante para a saúde pública do mundo. Isso porque, a obesidade infantil é consequência direta dos maus hábitos alimentares de toda a sociedade, principalmente dos próprios pais, e também da influência do capitalismo, em conjunto com as propagandas midiáticas, sobre o modo de vida da população.

Na obra “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman, o autor compara a atual sociedade ao estado líquido, estabelecendo uma relação entre a fluidez do líquido e a forma como o tempo se tornou escasso diante da correria do dia-a-dia. Dessa forma, pelo fato das pessoas estarem sempre com pressa para trabalhar ou realizar alguma outra atividade, se esquecem de acompanhar mais afinco a alimentação de seus filhos. Enquanto em décadas anteriores os pais tinham tempo de preparar as refeições dos pequenos, atualmente optam por leva-lós em fast foods, onde as comidas são preparadas rapidamente, sobrando tempo para os adultos se dedicarem a outras tarefas laborais.

Ademais, o capitalismo é primordial para entender o porque do aumento do número de crianças obesas, pois além de aumentar a correria do dia-a-dia e por consequência diminuir o tempo dos pais se dedicarem aos seus filhos, como exposto anteriormente, fez com que as propagandas midiáticas se tornassem meios de disseminar padrões para a sociedade. A exemplo disso, o documentário “Muito Além do Peso” exibe a persuasão das empresas alimentícias em fazerem as crianças consumirem um determinado produto, principalmente através do ganho de brindes, o que faz com que os pais percam o controle de uma geração que já nasce com a predisposição de ser ainda mais obesa.

Portanto, para diminuir os casos de obesidade infantil é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com os cursos de nutrição e gastronomia das faculdades, faça com que esses bacharelados realizem estágios nas escolas e criem cardápios com alimentos mais benéficos, ao mesmo tempo em que estimulem os alunos a optarem por hábitos alimentares saudáveis. Além disso, o Ministério da Saúde deve substituir a publicidade das empresas alimentícias por propagandas que alertem a população sobre a obesidade infantil, por meio, por exemplo, de curtas-metragens que mostrem a dura realidade das crianças que sofrem com o sobrepeso, estimulando assim os pais a cuidarem melhor da alimentação de seus filhos. Por fim, é de responsabilidade do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) estabelecer multas para propagandas que tentem induzir as crianças.