Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 01/04/2018

Conhecida como a fase das descobertas da vida, a infância desempenha papel importante na construção da personalidade e das características físicas de cada indivíduo. É nesse momento que através da interação social são construídos alguns padrões - como por exemplo os de consumo e alimentares - que serão seguidos ao longo da vida. Nesse contexto, a obesidade infantil surge como um problema enfrentado pelas sociedades contemporâneas. A diminuição na prática de atividades físicas relacionado ao hábito da ingestão de alimentos hipercalóricos, são fatores que contribuem para a manutenção desse quadro.

Em uma primeira análise, pode-se observar que a crescente utilização da tecnologia como fins de entretenimento tem causado uma diminuição na prática de atividades físicas. Para a criança, a comodidade proporcionada pelos jogos eletrônicos e mídias digitais é mais prazerosa que a prática de atividades ao ar livre, como por exemplo, andar de bicicleta e executar exercícios aeróbicos. Desse modo, a inatividade é estimulada, ocasionando, assim, o sedentarismo infantil. Dados do Ministério da Saúde mostram que 46% da população brasileira é sedentária, e tal condição surge ainda na infância.

Sigmund Freud, criador da psicanálise, defende que a personalidade do indivíduo seja formada na infância. Nesse contexto, pode-se verificar que práticas alimentares introduzidas à criança nesse momento podem ser mantidas no futuro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE - referentes ao ano de 2016, mostram que aproximadamente 61% das crianças até os 2 anos de idade fazem uso excessivo do açúcar, e 1 em 3 crianças de 5 a 9 anos sofre de obesidade no Brasil. Dessa forma, observa-se que o padrão de consumo de alimentos hipercalóricos começa ainda na infância, podendo estender-se à vida adulta, causando uma série de prejuízos à saúde do indivíduo.

Nesse contexto, é correto afirmar que a diminuição na execução de atividade físicas relacionada à prática alimentar indevida, são grandes responsáveis pelos índices de obesidade infantil. Contudo, cabe ao Ministério do Esporte através das secretarias municipais de esporte e lazer, a implantação de projetos físicos nos bairros e comunidades, visando a prática esportiva fora do horário escolar, diminuindo, dessa forma, o sedentarismo infantil. Cabe  às secretarias estaduais e municipais de saúde através das Unidades Básicas de Saúde - UBS - a implementação de programas que envolvam o atendimento de  nutricionistas e pediatras, a fim de que ocorra o acompanhamento nutricional infantil, e a devida orientação aos pais e responsáveis quanto à alimentação, proporcionando, dessa forma, uma melhora na qualidade de vida das crianças.