Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 01/04/2018

Uma infância conflituosa

Desde o fim da Guerra Fria, em 1985, e a consolidação do modelo capitalista, cresce no mundo o consumismo desenfreado. Entretanto, as consequências dessa modernidade atingem o ser humano em contextos distintos através da dependência por um estilo de vida facilitado, o qual reflete na saúde da população. Tal fato tem contribuído com o agravamento dos casos de obesidade no Brasil e, por conseguinte, afetando ainda mais quando se trata de crianças.

Dados recentes da Iniciativa de Vigilância da Obesidade Infantil, da OMS, mostram que, em média, um terço das crianças de 6 a 9 anos está obeso ou acima do peso atualmente. Logo, diante do conforto e facilidades advindas de um mundo globalizado, as consequências diretas no modo de vida da população de um país representam os riscos de uma má alimentação e falta de exercícios físicos, principalmente para os cidadãos em fase de desenvolvimento. O excesso de peso na infância retrata o fácil e rápido acesso à produtos criados para satisfazer as necessidades do consumidor, como a escolha por comidas de fast-food, porém, também representa o princípio para uma série de outras enfermidades crônico-degenerativas como problemas respiratórios, diabetes, hipertensão e cardiopatias.

Ademais, cabe pontuar que os péssimos hábitos da população na alimentação provém, diariamente, da falta de exercícios físicos e de uma má qualidade de sono, o que torna a obesidade uma doença de difícil controle com altas taxas de insucesso e, possivelmente, afetando aspectos psicossociais da criança. Dessa forma, a obesidade incorporada ao preconceito torna-se um grande desafio para os portadores, os quais a utilizam como válvula de escape para enfrentar seus medos e anseios diários. Prova disso, está nos crescentes casos de depressão aliado à obesidade, em crianças, adolescentes e adultos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) ,a tamanha demanda de pacientes tem provocado a diminuição de equipamentos para o atendimento, devido ao uso constante.

Em virtude do que foi mencionado, percebe-se que é necessária a reflexão sobre a influência da indústria de alimentos e bebidas e, consequentemente, a introdução de uma dieta equilibrada que ajusta-se no cotidiano acelerado das crianças. Além disso, cabe ao Estado, por seu caráter socializante e abarcativo, promover campanhas de conscientização nos centros públicos de saúde, a fim de incentivar uma boa alimentação e práticas esportivas regulares. Como também, é imprescindível que os pais e a sociedade tenham como meta estabelecer hábitos alimentares favoráveis para uma vida mais saudável e equilibrada, só assim, torna-se possível viver o máximo da infância de forma proveitosa.