Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 01/04/2018
No Brasil contemporâneo, vive-se sob a égide de uma democracia, que provém da Constituição promulgada em 1988. A partir desse pressuposto, inscrito em tal conjunto de leis, estão os direitos sociais, os quais são descritos no artigo 6º, assegurando, por exemplo, a saúde e a alimentação à todos os cidadãos. Refletir sobre tal direito significa reconhecer o papel do Estado como principal mediador nos problemas de saúde, sem desconsiderar, no entanto, a participação cidadã em manter uma alimentação equilibrada. Entretanto, o excesso dessa gera consequências e, dentre elas, a obesidade infantil.
Primeiramente, vale ressaltar a significante carga cultural que esse obstáculo apresenta, já que desde a antiguidade, os ancestrais apresentavam dificuldade para conseguir alimentos e estocá-los. Nesse sentido, a natureza encarregou-se de dotar o corpo humano de um mecanismo para armazenar energia, ou seja, o homem ingeria muito carboidrato e o excesso era transformado em gordura pelo organismo. Sendo assim, esse procedimento persiste na atualidade, porém o estilo de vida é diferente, principalmente o das crianças, pois elas usam meios físicos que as impedem de fazer esforços, e como consequência gera o sobrepeso e as doenças crônico-degenerativas.
Nessa mesma perspectiva, caberia lembrar ainda as palavras do renomado médico oncologista, Dráuzio Varella, quando diz que “a saúde como direito de todos e dever do Estado é uma demagogia e ainda tira a responsabilidade dos cidadãos sobre o próprio bem-estar: se Estado é quem cuida, não sou eu.” Essa fala sintetiza que muitas pessoas deixam de cuidar da própria saúde com a finalidade de deixar para o Estado, e o mesmo acontece com a obesidade, as consequências dela são tratadas, como a diabetes e as doenças cardíacas, mas o problema em si não é relevante para os indivíduos.
Enfim, para enfrentar os desafios de assegurar os direitos fundamentais, principalmente os referentes à saúde e à alimentação, é necessária uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada dos atores sociais, como o Estado e a sociedade. Inicialmente, compete ao Governo, na figura do Ministério da Saúde, desenvolver políticas de controle, prevenção e combate à obesidade infanto-juvenil, por intermédio de audiências públicas e formação de profissionais capazes de conhecer a alimentação saudável e ensiná-la aos menores, afim de melhorar a qualidade de vida da população. Por fim, é função da sociedade civil organizada, por sua vez, educar o paladar das crianças desde cedo e incentivá-las a praticar atividades físicas, por meio de manifestações e divulgações de campanhas nas redes sociais e em fontes de informação, como televisão e rádio, com o intuito de formar uma sociedade sem futuros problemas na saúde e viver em harmonia.