Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 01/04/2018
Segundo o Ministério da Saúde, 1 em cada 3 crianças estão com excesso de peso. Tal fato é uma realidade alarmante no Brasil. Além dos vários traços que marcam o agravamento da obesidade infantil na sociedade, há com esse processo a ocorrência do desenvolvimento de doenças psicossociais, como bulimia e anorexia, como também o aparecimento precoce de doenças crônicas não-transmissíveis, como diabetes e hipertensão. Nesse contexto, devem ser analisadas as perspectivas sociológicas, culturais e governamentais que constroem a conjectura atual.
Em primeira análise, há uma característica inerente à sociedade pós-moderna: a fluidez. De acordo com a teoria da Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman a rapidez e a efemeridade são traços que estão enraizados em todos os aspectos da vida humana. Sob esse raciocínio, as crianças são cercadas por propagandas tendenciosas de redes de fast-foods e afins, que mostram alimentos tentadores e pessoas felizes os consumindo. Os pais, todavia, ficam alheios a essa relação permitindo que seu filho seja induzido ao consumo desenfreado desses produtos.
Outrossim, características biológicas também podem interferir na permanência dessa mazela. Os smartphones são itens indispensáveis na vida dos indivíduos, que condicionam suas tarefas aos aparelhos. Ainda que adultos possam controlar essa relação homem-tecnologia, crianças não tem o discernimento necessário para examinar o tempo que estão em contato com celulares. Desse modo, há o desregulamento do tempo de sono, acarretando em modificações biológicas. Quando o organismo não dorme o suficiente, tem uma maior predisposição ao consumo de alimentos mais calóricos, como os carboidratos que são ricos em açúcares e possuem a principal moeda energética: a glicose. O processo citado agrava a situação de jovens que possuem predisposição ao aumento de peso.
No Brasil, há o Guia Alimentar que é um manual lançado anualmente explanando alimentos básicos que devem ser consumidos em uma dieta diária. Entretanto, grande parcela da população não sabe da existência dessa ferramenta. Logo, pode-se deduzir que o Governo não está disseminando suas propostas como deveria. Portanto, medidas devem ser tomadas. Destarte, o Ministério da Saúde deve, em parceria com os meio midiáticos, lançar campanhas que exemplifiquem em pequenas propagandas nos horários de máxima audiência as consequências do uso excessivo de tecnologia e de uma alimentação não saudável, como também propagar o conteúdo do Guia Alimentar. Assim como, o Ministério da Educação junto ao CONAR (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) deverá exigir que grandes redes de fast-food exibam os valorem nutricionais dos alimentos que ofertam. Os pais são agentes essenciais, o Governo deverá incluí-los como protagonistas no combate á obesidade infantil.