Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 01/04/2018

Sob a perspectiva filosófica de John Stuart Mill, o indivíduo é soberano sobre seu corpo e mente. No entanto, com o frenético avanço da sociedade e a liberdade de escolha frente aos hábitos alimentares, torna-se evidente que, na contemporaneidade, a alimentação saudável foi negligenciada e a obesidade fez-se um grande problema, acometendo, principalmente, as crianças. Fatores de ordem educacional e econômica caracterizam o caótico quadro de sobrepeso na infância.

Convém ressaltar, a princípio, que a omissão da obesidade no ambiente acadêmico é fator predominante para a permanência da má alimentação entre os jovens. É indubitável que as escolas brasileiras negligenciam a saúde dos estudantes, a ponto de não instruí-los sobre os ricos da obesidade, tampouco, sobre suas formas de prevenção. Outrossim, devido a precariedade institucional, torna-se indisponível, aos alunos, merendas equilibradas voltadas a necessidade individual, bem como a falta de aulas de educação física para os jovens. Como reflexo de uma sociedade instável socialmente e suscetível a ignorância frente aos hábitos alimentares, 8,4% dos adolescentes são obesos e mais de 30% das crianças apresentam excesso de peso, segundo pesquisas do Ministério da Saúde.

Conforme o ideário marxiano, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, as empresas alimentícias vendem seus produtos atrelados à felicidade e à realização pessoal, quando, na maioria das vezes, são responsáveis pela degradação da saúde do consumidor. A cultura do fast-food, popularizada devido a sua praticidade, é uma das maiores causas de obesidade, principalmente no público infantil, visto que as crianças são persuadidas, muitas vezes, pelos brinquedos que acompanham as refeições, usados como meio apelativo de venda.

Diante do exposto, cabe as instituições de ensino deliberar acerca dos ricos e da prevenção da obesidade, com palestras elucidativas mediadas por nutricionistas, expondo dados estatísticos e, também, as doenças consequentes do sobrepeso, para que as crianças não se tornem complacentes aos maus hábitos alimentares. Outrossim, é dever do Estado suprir com investimentos governamentais nas merendas infantis, bem como a ampliação de professores de educação física, a fim de contribuir para uma boa alimentação e, em consonância, maior resistência física à criança. Cabe ainda, ao Estado, juntamente com a mídia, regular as propagandas alimentícias que circulam no país. Essa proposta deve contar com a aprovação de leis que obriguem as indústrias a alertar ao público os riscos recorrentes do consumo excessivo dos seus produtos. Por conseguinte, os casos de obesidade serão minimizados e a construção de uma sociedade mais saudável será efetivada.