Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 02/04/2018

A Magna Carta brasileira, de 1988, garante aos cidadãos os direitos à saúde e ao bem-estar social. Todavia, a prática deturpa a teoria, uma vez que os casos de obesidade, principalmente a infantil, aumentaram exponencialmente, em decorrência do desafio estatal, no que diz respeito à educação alimentar e ao consumismo excessivo. Antes de tudo, é necessário considerar o que foi proposto por John Locke, filósofo inglês do século xvii, em sua frase “o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências’’. Partindo desse pressuposto, torna-se evidente que a ausência da educação alimentar dos pais reflete diretamente no comportamento alimentar -calórico e pouco saudável- das crianças. Essa realidade vai de encontro ao constitucional direito à saúde, o qual é violado e reflete no desenvolvimento de doenças gravíssimas, tais como diabetes, hipertensão, colesterol alto e doenças cardíacas precoces. Além da precária educação alimentar, o consumo exagerado de alimentos não saudáveis apresenta-se como um fator relevante nesta disfunção social, tal como afirmou o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, em sua frase “consumo, logo existo”, em referência ao célebre excerto do filósofo e matemático René Descartes. Nesse sentido, os meios de comunicação catalisam os vícios alimentares das crianças, por meio de publicidades com grande carga persuasiva sobre a ingestão de alimentos pobres em nutrientes essenciais. Essa questão persiste devido à inoperância estatal, por não promover a fiscalização dos meios de propagação de anúncios apelativos. Diante desses impasses, necessita-se, urgentemente, que os Governos federal e estadual, juntamente com o Ministério da Educação, direcionem recursos financeiros, a serem revertidos em acesso à informação, por meio de palestras ministradas por especialistas na área -como nutrólogos, nutricionistas e endocrinologistas-, com o intuito de promover a educação alimentar entre pais e filhos. Paralelamente, cabem ao Poder Judiciário e ao Ministério Público fiscalizar o número de propagandas apelativas, aplicando as medidas legais necessárias, estimulando programas educacionais, relacionados ao consumo de alimentos ricos em nutrientes. Por conseguinte, os desafios do combate à obesidade infantil serão amenizados e a população poderá gozar de seu direito à saúde e qualidade de vida previstos na Constituição Federal.