Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 01/04/2018
A obesidade infantil no Brasil, de acordo com informações do Sistema de Vigilância Alimentar, aumentou cerca de 79% entre 2008 e 2013. Lesada por aspectos relativos às práticas alimentares da população brasileira e à valorização de indústrias que buscam apenas o lucro, a tendência é que a obesidade permaneça em expansão no país, favorecendo o surgimento de doenças metabólicas, cardiovasculares, entre outras. Assim, há a necessidade de se debater e propor medidas para solucionar o impasse, a fim de tornar possível a redução dos casos.
As práticas alimentares brasileiras têm se mostrado incompletas em termos nutricionais, principalmente devido a uma tendência ligada ao “fast food”(comida rápida), sendo essa favorecida pela impaciência para o preparo e pelo pouco tempo disposto pelos responsáveis pela alimentação no lar. Exemplo disso é a frequente compra de alimentos prontos, como lasanhas, em vez do preparo de refeições simples, mas completas nutricionalmente, o que dificulta uma posterior reeducação alimentar, uma vez que as crianças crescem sob a influência do ambiente familiar.
A indústria alimentícia, ainda, colabora para a precariedade da alimentação infantil a partir do desenvolvimento e do marketing sobre as mercadorias direcionadas às crianças, como biscoitos e sucos. O problema é encontrado na fórmula dos produtos, com quantidades elevadas de componentes que favorecem, por exemplo, a obesidade e a hipertensão: o açúcar e o sódio. As embalagens atrativas, o investimento publicitário e o hábito alimentar prejudicial colaboram para que os itens sejam amplamente adquiridos, como se não oferecessem qualquer mal.
É imprescindível, portanto, que medidas relativas ao monitoramento das indústrias alimentícias e à educação alimentar sejam tomadas com o objetivo de prevenir o aumento do índice de casos de obesidade infantil. Para tal, o governo federal deve, em parceria com a secretaria da saúde a nível estadual, promover a análise das fórmulas de comestíveis direcionados às crianças por uma equipe de nutricionistas e pediatras, exigindo que as fórmulas sejam adequadas aos níveis aceitáveis antes da distribuição dos produtos. Ademais, ele deve agir em conjunto ao Ministério da Educação e aos governos estaduais para incluir a educação alimentar à base curricular, instruindo crianças sobre a prática alimentar saudável e prevenindo aumentos das estatísticas. Dessa forma, será concebível a ideia de um Brasil com menor índice de obesidade e, consequentemente, a redução dos gastos relativos ao tratamento dos casos existentes.