Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 02/04/2018

A obesidade infantil é um problema social que por muito tempo foi subjugada. No Brasil, ela era vista como fator de saúde, maior poder aquisitivo, em detrimento da magreza que era sinônimo de  pobreza e vulnerabilidade em relação às doenças. Contudo, essa percepção equivocada tem sido combatida pela análise médica e mudanças na cultura do bem-estar. Ainda assim, muitas crianças não encontram orientação por parte dos familiares e escolas e acabam sendo vítimas do mercado alimentício, que ciente dessa fragilidade, estimula o consumo desequilibrado e prejudicial à saúde.

Em primeira análise, é imprescindível o poder do núcleo familiar associado à escola no comportamento alimentar das crianças.  Nas refeições em família há o predomínio de carboidratos e lipídeos, nas cantinas das escolas, o alimento saudável é menos atrativo que o industrializado. Diante disso, o referencial da boa alimentação é perdido, isso porque, muitos pais não incentivam o consumo de legumes, verduras, frutas e a instituição escolar não oferece nenhuma alternativa para esse problema. Além do mais, o sedentarismo têm sido cada vez maior e a principal causa é a troca do exercício físico por atividades como assistir séries e filmes, jogar videogame, passar horas nas redes sociais. Tudo isso colabora para o aumento de peso das crianças.

Outro ponto relevante, nessa temática, é que a indústria utiliza-se da ingenuidade presente na infância. Anúncios chamativos, desenhos animados nas embalagens, informações nutricionais complicadas mascaram os pontos prejudiciais como gorduras, excesso de sódio, açúcar, pobreza nutricional que podem estar contidos em salgadinhos, biscoitos, doces. Essa situação é agravada porque não há nessa faixa etária muito discernimento, que aliado à falta de orientação familiar e escolar, tornam as crianças vulneráveis a todo tipo de alimentos péssimos à qualidade de vida. Além do mais, a educação brasileira está mais voltada para a retenção de informações sobre diversas matérias do que para a qualidade de vida dos estudantes, principalmente, das crianças.

Diante do exposto, cabe à escola associada as famílias, organizarem uma mudança na alimentação das crianças, mediante cursos de alimentação saudável e importância dos exercícios físicos para pais e filhos. Isso pode ser feito por nutricionistas, médicos ou os próprios professores de biologia, química, educação física da instituição. Após essa conscientização, a implantação de hortas e árvores frutíferas dentro do colégio podem aumentar essa relação das crianças com a natureza e a alimentação saudável. Ademais, o Ministério Público e o Conar devem exigir mais restrições para as propagandas, afim de que não mascarem a qualidade de seus alimentos. Dessa forma, além de diminuir a obesidade infantil, as crianças encontrarão maior bem-estar e energia no cotidiano.