Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 02/04/2018

Durante a segunda geração modernista brasileira, Carlos Drummond de Andrade publicou, em 1928, seu célebre poema “No meio do caminho”. Talvez, hoje, o autor percebesse acertada sua escrita ao analisar o persistente problema dos desafios de combate à obesidade infantil, causado tanto pelo individualismo, quanto pelo descumprimento constitucional, que infelizmente atinge a nova população brasileira.

Indubitavelmente, os seres humanos são fortemente influenciados pelo meio social em que estão inseridos. Nesse sentido, a convivência em uma nação marcada por ações individualistas a respeito do consumo de alimentos industrializados saturados de gordura trans e açúcar que causam problemas de saúde e obesidade, produzirá nos novos indivíduos uma tendência a cometer esse mesmo tipo de comportamento. Tal afirmação encontra respaldo na obra “Modernidade Líquida”, escrita pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que defende o individualismo como uma das principais características e a maior hostilidade da pós-modernidade. Logo, o individualismo é, inevitavelmente, a causa da perpetuação da obesidade infantil.

Ademais, o descumprimento dos objetivos constitucionais contribui para a persistência do problema. De acordo com o artigo terceiro da Constituição, um dos objetivos fundamentais do Brasil é “promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Todavia, os inúmeros casos de bullying com crianças obesas em escolas e meios de interação demonstram, com nitidez, que a nação brasileira está longe de atingir o referido objetivo constitucional.

Destarte, urge que indivíduos e instituições públicas cooperem para exterminar o bullying e a obesidade infantil. Desse modo, cabe ao cidadão rejeitar a inferiorização das crianças acima do peso, por meio de debates nas mídias sociais capazes de desconstruir a prevalência da obesidade infantil. Ao Ministério Público, por sua vez, juntamente com as escolas, pertence o dever de distribuir cartilhas voltadas ao esclarecimento dos objetivos constitucionais e à conscientização das consequências de atitudes egoístas e opressoras dentro das escolas e meios de interação. E, assim, poderá se retirar a pedra do caminho do desenvolvimento sociocultural brasileiro se atingir o tão sonhado respeito mútuo no Brasil.