Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 09/04/2018

A sociedade incorpora as estruturas sociais que são impostas à sua realidade, logo, após incorporar, a sociedade naturaliza esse padrão e, por fim, o reproduz ao longo do tempo, assim diz o sociólogo francês Pierre Bourdieu em sua teoria sobre Habitus. Não obstante, a obesidade infantil é uma problemática que advém das práticas históricas socioculturais e ao sedentarismo diretamente ligado aos maus hábitos, sendo um fato agravante na atualidade, de caráter destrutivo e inercial a ser combatido.

A falta de orientação por parte dos pais e a omissão das escolas tem acarretado no alto índice de excesso de peso na população infantil, assim como mostra o filme “Muito Além Do Peso”. Todavia, tal problemática deriva da genética herdada pelos ancestrais, que tinham dificuldade em conseguir o alimento, e ao conseguir, procuravam estocar a comida neles mesmo. É incontrovertível, que atualmente, com a modernização e a tecnologia, tem provocado a privatização de esforços, deixando as crianças na zona de conforto, acarretando doenças crônicas, como diabetes, colesterol, triglicérides, hipertensão, glicemia, ansiedade, medo, baixa estima, dentre outras.

Torna-se evidente que a negligência para com a importância de incentivo ao esporte e atividades físicas, enquadrada na imperiosidade de haver uma boa formação familiar, assim como expôs Gilberto Freyre no seu livro “Casa-Grande e Senzala”. Diante disso, nota-se que tais negligências resultam no sedentarismo, que contribui casa vez mais para o número de crianças obesas no Brasil, onde a maior interação para as crianças modernas passou a ser nas telas de computadores, celulares, tablets e não mais nas ruas como antigamente.

Consoante ao mencionado fica evidente que existem obstáculos para erradiar a obesidade infantil no Brasil, sendo preciso intervenção. Cabe ao Ministério da Saúde juntamente com pais e responsáveis criar medidas como programa sócio educativo vinculado diretamente em escolas, trabalhando a importância da saúde e intervindo na subjugação dessa parcela obesa. É imprescindível a veiculação de campanhas midiáticas abrangentes e chocantes para conscientizar a população infantil. Assim, talvez, o pensamento pessimista de Bourdieu possa ser vencido, pois tudo que é socialmente construído pode ser culturalmente combatido.