Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 03/04/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”. De acordo com Platão, a qualidade de vida é, muitas vezes, mais considerável que a própria existência. Entretanto, essa perspectiva não se perpetua na realidade das crianças brasileiras com o problema de obesidade, na qual impera admitir que o abandono doméstico da alimentação equilibrada se revela forte desafio a ser combatido em prol do bem-estar. Ademais, a falta de incentivo público ao esporte deslegitima o combate a essa doença.

Em primeiro plano, ressalta-se a teoria clássica da ação social de Max Weber como uma compreensão da intencionalidade das atitudes humanas de forma não planejada. Desse modo, os sujeitos tendem a reproduzir hábitos no meio do qual estão inseridos, isso ocorre, por exemplo, em domicílios providos do excesso de consumação de alimentos gordurosos, repercutindo em obesos, hipertensos ou diabéticos, que na fase adulta tendem a repassar tais doutrinas aos seus filhos, resultando em uma geração continuamente doente, fruto da prática do consumo exacerbado de alimentos nocivos à saúde e da ausência de políticas de auxiliamento a esses núcleos familiares.

Além disso, no documentário estadunidense Super Size Me, é externado os malefícios físicos e psicológicos gerados pela influência das indústrias de comida rápida no estilo de vida capitalista. Sendo assim, a ausência do apoio estatal a essas instituições quanto ao incentivo de projetos interdisciplinares a fim de combater a má alimentação, bem como os efeitos causados devido a mesma, aponta-se o principal agente regressor na luta contra a obesidade infantil.

Face às considerações expostas, cabe ao Governo Federal, junto às escolas e ao Ministério da Educação, a criação de eventos como uma Mostra Anual Alimentícia e Esportiva, por meio de subsídios para as redes privadas e instalações equipadas na rede pública, consistindo na apresentação de alimentos que contenham vitaminas em sua composição desenvolvidos pelos alunos com orientação da família, não obstante na introdução ao esporte, incentivando e instruindo práticas saudáveis rotineiras não só dos estudantes, todavia também do núcleo familiar. Ainda, compete à mídia, em parceria com o Ministério da Cultura, a mobilização e divulgação, através de danças, teatros e músicas, didatizando à comunidade sobre a problemática abordada, enquanto, analogamente a isto, introduz noções de cultura e lazer na vida desses indivíduos. Só assim será possível a construção de um Brasil condizente com a premissa platônica.