Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 06/04/2018

Na obra “Utopia” (1516), o filósofo Thomas Morus idealiza uma organização política pautada numa harmonia social completa, sem espaços para conflitos e adversidades. Desde então, essa filosofia impulsionou o desejo das civilizações de alcançar tal objetivo. Contudo, na contemporaneidade, a falta de combate à obesidade infantil verificada no Brasil têm impossibilitado a consolidação dessa sociedade funcional. Por esse viés, cabe analisar os aspectos políticos e psicanalíticos que envolvem essa questão no país.

Primeiramente, observa-se que a ausência de prevenção do excesso de peso no período da infância tem sido maximizada pelo inércia do poder público. Prova disso pode ser a deficiência no processo de investimento financeiro em campanhas de reeducação alimentar e incentivo à prática de exercícios físicos regulares. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso. Sendo assim, vê-se que o governo não tem assegurado o bem-estar de todos os cidadãos, evidenciando, dessa forma, o desrespeito aos princípios fundamentais das sociedades civilizadas, previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).

Além disso, nota-se que o indivíduo, de acordo com a teoria psicanalítica de Sigmund Freud, vive em constante conflito entre impulsos inconscientes (Id) e a consciência dos limites sociais (Superego). Dessa maneira, um jovem obeso pode sentir o desejo de se tratar. Todavia, saber que muitos pacientes acabam tendo fracasso na perda de peso tende a se apresentar como um elemento de inibição desse anseio. De acordo com a Universidade de Campinas, 29,3% das crianças recusam realizar a terapia. Logo, vê-se que falta garantir o acesso a um tratamento que atenda a todas necessidades (físicas e psicológicas) desse grupo vulnerável, o que acarreta na violação do direito à saúde desses.

Ressalta-se, em suma, que a obesidade infantil deve ser combatida. Para isso, é necessário exigir do governo, mediante debates públicos, um melhor investimento financeiro na construção de academias públicas com profissionais da saúde aptos para acompanhar crianças, adultos e idosos em exercícios físicos e no âmbito nutricional, com o intuito de prevenir essa patologia. Ainda, é interessante promover, por meio de ONG’s, campanhas que objetivam a conscientização acerca da importância do tratamento dos jovens acometidos, a fim de assegurar a consolidação do direito à saúde desses. Ademais, deve haver a promoção da educação crítica, via projetos escolares, para que se estimule uma cultura de prevenção do sedentarismo entre os jovens, uma vez que esse agente é um dos principais responsáveis no desenvolvimento do excesso de peso. Desse modo, seria possível alcançar uma sociedade funcional, assim como na obra de Thomas Morus.