Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 06/04/2018

Ao afirmar “Existe uma epidemia de obesidade no Brasil”, o médico brasileiro Dráuzio Varella busca alertar a população em geral sobre um grave e danoso problema de saúde pública. Nessa perspectiva, é importante destacar que esse transtorno acomete muitas crianças e tem como uma de suas maiores causas as consequências sociais do intenso processo de urbanização - dentre elas mudanças no estilo de vida da sociedade -, para além da adoção de hábitos alimentares extremamente prejudiciais.

Sob essa abordagem, é prudente discutir acerca do acentuado processo de urbanização ocorrido no Brasil como sendo fator preponderante para mudança nos hábitos de vida da sociedade e nos cuidados com a saúde corpórea e mental. É fato que, o crescimento desenfreado das cidades teve como uma de suas graves consequências o aumento significativo da violência e com isso as crianças da atualidade possuem o seu lazer de brincadeiras nas ruas substituído por longas horas à frente da tela de computadores e celulares, dessa forma gastam menos energia e possuem uma vida extremamente sedentária. Nesse contexto, pode-se mencionar o documentário “Muito além do peso” de 2012, o qual discorre sobre o crítico estilo de vida de muitas criancinhas com sobrepeso no Brasil.

Ademais, convém acrescentar que o costume frequente de ingerir alimentos ultraprocessados, a exemplo dos fast foods e enlatados, corrobora significativamente para o lamentável quadro de obesidade infantil na contemporaneidade. Com efeito, a ingestão de alimentos com altos níveis de gorduras e açúcares propicia o desenvolvimento de sérios, por vezes irreversíveis, problemas de saúde - tais como apneia, doenças cardiovasculares, diabetes e distúrbios de sono. Nesse viés, cabe ressaltar o dado divulgado pelo Ministério da Educação, segundo o qual 1 em cada 3 crianças brasileiras está com sobrepeso. Ainda é lastimável salientar as propagandas de empresas alimentícias como ferramenta de persuadir jovens e adolescentes a consumir comidas altamente prejudiciais e de baixo teor nutritivo, tais como hamburgers, refrigerantes e bombons.

Frente a esse dilema, urge, por conseguinte, a participação das famílias no que diz respeito a retirar as crianças da condição sedentária, por meio do estímulo à prática de atividades físicas no dia a dia, a fim de reduzir os riscos de desenvolver problemas de saúde e evitar o quadro de obesidade ainda na fase inicial da vida. Assim como, é crucial a colaboração das empresas alimentícias relativamente a mudanças na confecção de seus produtos, por intermédio do acréscimo do teor calórico nas embalagens das comidas e bebidas comercializadas, para que as pessoas tenham conhecimento da real composição dos alimentos e dos possíveis riscos ao bem-estar corporal.