Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 08/04/2018
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, à fluidez da sociedade moderna incita a busca pela rapidez nas atividades diárias. Nesse contexto, devido a facilidade de acesso a alimentos processados, que possuem baixos valores nutricionais, os indivíduos incorporam maus hábitos alimentares precocemente, tornando a obesidade infantil cada vez mais presente na sociedade. Nesse ínterim, deve-se analisar como a omissão familiar e a negligência escolar provocam os casos de tal problemática na vida das crianças e dos adolescentes brasileiros.
No ano de 2007, foi aprovado o projeto de lei que proíbe a venda de refrigerantes nas escolas de educação básica. Contudo, apesar do produto não ser mais comercializado na comunidade escolar, os pais por vezes utilizam tal item como opção para o lanche das crianças, devido a praticidade oferecida pelas bebidas e alimentos industrializadas. Diante disso, a grande maioria dos pais utilizam como justificativa para negligência na alimentação dos filhos a falta de tempo. Em decorrência dessa omissão, os pequenos passam a ter uma maior predisposição a desenvolverem doenças crônicas, sedentarismo e indisposição para praticar uma simples atividade física, ocasionadas por um quadro de obesidade precoce. Assim, fica claro que não é à toa, que as organizações de saúde estão cada vez mais preocupadas com a má alimentação das crianças.
Atrelada a omissão familiar, a negligência das escolas também é responsável pelos casos de obesidade infantil. Isso decorre, do modelo pedagógico vigente, que prioriza o ensino de disciplinas mais teóricas, dando maior enfoque a conteúdos cobrados em provas e deixam em segundo plano o estímulo a prática de exercícios físicos e a orientação aos hábitos de auto cuidado. Por consequência, as crianças interiorizam, naturalizam e reproduzem uma vida com a ausência de atividades físicas e descaso com a alimentação e cuidados com a saúde.
Torna-se evidente, portanto, que tanto a escola como a família devem está envolvidas no combate a obesidade infantil. Em razão disso, os órgãos competentes devem, a fim de buscar a conscientização, disseminar, nos meios de comunicação, propagandas que mostrem aos pais as consequências que a falta de atenção na alimentação dos filhos pode causar. Outrossim, o Ministério da Educação, deve fiscalizar e incentivar as escolas e professores a trabalhar os temas transversais em sala de aula, pois esses orientam as crianças e adolescentes, dentre outros assuntos, sobre a questão do auto cuidado com a saúde. Assim, espera-se que tais ações possam mitigar a problemática da obesidade infantil no contexto brasileiro.