Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 18/12/2020

Segundo o Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional), 8% da população brasileira é completamente analfabeta e 29% dela se enquadra em analfabeto funcional, ou seja, consegue ler, mas não interpreta textos simples nem realiza operações de matemática básica. Além disso, o Inaf alega que esses dados são os mesmos desde 2009, o que contradiz o lema brasileiro de ordem e progresso. Logo, analisando os dados, urge a necessidade de analisar os desafios do processo de alfabetização no Brasil, como a desqualificação de professores, além das consequências que os altos índices de analfabetismo trazem a sociedade como um todo.

Primeiramente, deve-se entender que segundo a Constituição de 1988, todo brasileiro tem direito a educação, e por consequência alfabetização, de qualidade. Entretanto, na prática, isso não é cumprido, em grande parte devido a desqualificação dos professores. Nesse viés, há o “Pacto de mediocridade” explicado por Darcy Ribeiro. Nele, o antropólogo afirma que no Brasil o professor, desqualificado e desvalorizado, finge que ensina, enquanto o aluno finge que aprende. Dessa forma, os índices de analfabetismo funcional continuam altos, afinal, a ida à escola não garante a aprendizagem do aluno.

Por consequência do ensino falho e obsoleto, o aluno passa de série mesmo sem ter domínio do conteúdo do ano anterior. Prova disso é a pesquisa realizada pelo Inep ( Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas educacionais), que provou que mais da metade dos alunos do terceiro ano tem conhecimento insuficiente em leitura e em matemática para sua turma. Como efeito, os analfabetos são retritos ao mundo da oralidade, o que acarreta pouca possibilidade de emprego, além da consequente marginalização social.

Mediante o exposto, é necessário tomar medidas, pois como disse o jornalista George Shaw, o progresso é impossível sem mudanças. Portanto, o Ministério da Educação junto as Secretarias da Educação Estaduais e Municipais devem incentivar a qualificação dos professores. Isso pode ser feito com a realização de cursos profissionalizantes para educadores de todas as turmas do ensino básico. Outrossim, devem valorizar e incentivar financeiramente todos aqueles que cursarem pós graduação e mestrado. Com essas medidas tomadas, será possível garantir a ordem, através do controle de qualidade dos profissionais, e o progresso, com a gradual mudança dos dados apresentados anteriormente.