Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 18/12/2020

Antes do século XIX, a alfabetização era voltada para homens, brancos e abastados. Nos dias atuais, embora a educação seja supostamente para todos os cidadãos, segundo a Constituição Federal de 1988, a desigualdade econômica do Brasil possibilita a existência de 11,3 milhões de iletrados no país, segundo dados de 2019 do IBGE. Nesse aspecto, denota-se que a desigualdade econômica, seguida pela disparidade regional são desafios do processo de alfabetização no país.

Inicialmente, é necessário pontuar que a desigualdade econômica do Brasil possibilita a existência de um grande percentual de analfabetos no país. Isso ocorre porque, para manter o sustento familiar, muitos jovens abandonam o colégio ou permanecem nele com um rendimento pouco efetivo, tendo em vista a necessidade de conciliar a escola e o trabalho desde cedo. Uma prova disso é que, segundo o IBGE, o abandono escolar é oito vezes maior entre jovens de famílias mais pobres. Sob a lógica do sociólogo Maslow, existe uma pirâmide de necessidade humana em que as necessidades fisiológica antecedem qualquer outra carência.Ou seja, no contexto em questão, muitos indíviduos precisam abdicar do letramento em prol do financiamento de alimentação e moradia.

Em sequência, tendo em vista a existência de uma quantidade acentuada de analfabetos no Nordeste, com 13,9% dos iletrados, e Norte, com 7,6%,é necessário que esses locais sejam os focos de políticas de redução do analfabetismo. Tal realidade é oriunda de um processo de ubanização desigual, em que regiões do Sul e Sudeste foram implementadas com uma prestação de serviço público que atendeu maior parte da população citadina, o que não ocorreu em outros locais do país. Como consequência, a educação de locais fora da prioridade governamental é extremamente comprometida, favorecendo a manutenção da quantidade de iletrados nesses locais.

Portanto, para liquidar os desafios do processo de alfabetização  no país, algumas medidas estatais devem ser adotadas. De primeira, o Governo Federal deve criar um fundo monetário para que o Ministério da Educação possa fornecer auxílio financeiro para jovens que desejam estudar, mas que possuam uma família com baixas condições financeiras. Dessa forma, os impactos da disparidade econômica na formação educacional de crianças e jovens poderão ser atenuados. Ademais, para que a herança histórica do serviço educacional ineficiente seja diluída em determinas regiões, políticas devem ser desenvolvidas para a erradicação do analfabetismo nesses locais. Para isso, os Governos Estaduais das regiões Norte e Nordeste, financiados pelo Governo Federal, deverão criar bolsas de estudos nas universidades para que acadêmicos e pós-graduados analisem os perfis do analfabetos da região e onde se concentram, para que possam propor políticas efetivas em cada localidade.