Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 21/12/2020

A Constituição Federal, documento mais importante do país, prevê, em seu Artigo 6°, o direito à educação e ao transporte como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, infelizmente, tal prerrogativa não tem reverberado, com ênfase na prática, quando se observa os desafios da alfabetização no Brasil, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Nessa perspectiva, convém analisar as principais consequências relacionadas a esse fenômeno na sociedade brasileira.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a negligência governamental como agravante dos impasses relacionados a alfabetização no Brasil, como, o acesso limitado ao uso do transporte em diversas áreas rurais e nas periferias urbanas. Tal qual, dificulta a frequência contínua dos educandos às instituições de ensino. Outrossim, à luz da pesquisadora brasileira Vera Maria Candau, tem-se a afirmação de que o sistema educacional brasileiro está preso aos moldes do séc. XIX e não oferece propostas inovadoras de ensino, o que corrobora ao fato da exisência de falhas educionais para a formação adequada dos alunos. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma relação de “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre a sua função de garantir à população direitos básicos, como a educação e o transporte, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a evasão escolar de crianças e adolescentes, por questões de baixa renda, necessidade de trabalhar, residências em áreas de risco, envolvimento com práticas ílicitas, ou por falta de incentivo familiar, como impulsionadora do analfabetismo funcional no Brasil. Conforme dados da Pnad Contínua, 11 milhões de brasileiros, entre 14 e 29 anos,  não completaram alguma das etapas da educação básica. Consoante ao fato, segundo a Fundação Roberto Marinho, 26% da vida de um jovem é perdida em consequência da evasão escolar. O analfabetismo, infelizmente, é limitativo e impacta a vida adulta, pois, a falta de instrução educacional se reflete nos salários e cargos ocupados pelos indivíduos. Congruente a isso, segundo Imamanuel Kant, tem-se que, o homem não é nada além do que a educação faz dele.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater os obstáculos supracitados existentes na sociedade brasileira. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de campanhas, mobilidades sociais e gestão adequada dos recursos financeiros, voltados à educação, intensifique e incentive a democratização e acesso ao ensino público nacional. A fim de estimular o interesse dos alunos e alcançar a correta alfabetização dos cidadãos, visando a efetivação dos elementos previstos na Constituição Federal.