Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 22/12/2020
A Constituição Federal de 1988 assegura que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família. Contudo, essa prerrogativa constitucional é ineficaz em um país que convive com cerca de 11 milhões de analfabetos, segundo dados do IBGE. De fato, essa mazela que acomete, principalmente os indivíduos com baixo nível socio-econômico, apresenta origens históricas, uma vez que a educação de qualidade nunca foi uma prioridade governamental. Nesse sentindo, é inadmissível que em um país com elevadas taxas tributárias não invista em educação básica, e comprometa o futuro dos cidadãos e desenvolvimento da nação. Desse modo, cabe análise dos principais desafios envolvidos na processo de alfabetização no Brasil.
Em primeiro plano, se faz importante avaliar as causas do elevado indíce do analfabetismo, que está diretamente relacionado à pobreza e à falta de atuação do Estado. Vale ressaltar, que a precariedade do nível educacional é acentuada na região Norte e Nordeste, local em que concentra metade do analfabetos do país, os quais vivem em situações precárias nas periferia das cidades e áreas rurais, sem acesso à educação básica. Nesse âmbito, apesar de haver tentativas de estabelecer Políticas Nacionais de Alfabetização (PNA), estas são pouco efetivas e têm demonstrado resultados incipientes. Prova disso, são os recentes dados divulgados pela ONU, em 2020, refente ao IDH, em que o Brasil decaiu 5 posições no índice, devido à estagnação na educação. Ademais, um país que não investe em educação é incapaz de se desenvolver de forma ética e democrática.
Em segunda instância, os analfabetos além de constituírem uma porção marginalizada, têm seu futuro profissional comprometido. Nesse âmbito, sofrem com o desemprego e são obrigados à se submeterem à baixos sálarios. Em suma, é questionável se os políticos brasileiros estão verdadeiramente empenhados em solucionar o problema educacional, pois aos analfabetos falta criticidade, cidadania e são facilmente manipuláveis. Segundo a ativista Malala Y., uma caneta, um livro, uma criança e um professor são capazes de mundar o mundo. Posto isso, se faz necessário uma mobilização da sociedade no sentido de exigir ações concretas para melhoria da educação.
Depreende-se, portanto, que a falta de investimento educacional comprote o avanço do Brasil. Dessa maneira, cabe ao MEC fiscalizar e acompanhar os resultados da PNA, como forma de coibir a evasão escolar. Além disso, criar oficinas e cursos, virtuais e presenciais, para educação continuada dos professores, e exigir dos Estados e Municípios a implantação de novas escolas em periferias e áreas rurais, com oferta de livros, estrutura, merenda e transporte escolar. Assim, observa-se-ia uma democratização do ensino no país e um maior respeito aos direitos constitucionais.