Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 19/12/2020

Victor Hugo, na obra “Os Miseráveis”, destacou a importância da literatura na conscientização de um povo, registrando as condições subumanas da população carente de Paris. Nesse contexto, nota-se, na atualidade, que uma das condições de precárias condições humana: o analfabetismo, têm no Brasil proporcionado a marginalização de direitos, tal como denunciado por Victor Hugo, algo grave para a construção de uma sociedade igualitária. Com efeito, há de se deliberar sobre como o analfabetismo tem em suas raízes o ensino desigual e a exclusão social.

É válido pontuar, de início, que a desigualdade social é um dos principais desafios para a manutenção do analfabetismo no país. A esse respeito, o escritor Machado de Assis disserta de não ser verdade que o Brasil esteja progredindo rumo a ser sociedade igualitária. Nessa visão, a ineficiência do sistema de educação da nação subjuga substancial parcela dos indivíduos ao frágil acesso à leitura, e consequente informação para um posicionamento crítico e autônomo, requisito, imprescindível, de um cidadão que goza de plenos direitos. Assim, o acesso desigual à leitura e à aprendizagem, como insistia Assis, é uma afronta a uma das principais peças-chave da democracia, o conhecimento.

De outra parte, o analfabetismo exclui uma parcela da população do acesso às informações mais básicas. Nessa perspectiva, conforme os dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), 34% das crianças brasileiras chegam no final do 3º ano sem ler ou escrever adequadamente. Por conseguinte, é inconcebível que o Brasil - que almeja ser nação desenvolvida - seja indiferente ao elevado índice de iletramento dessa faixa etária. Essa inobservância priva esses cidadãos de direitos inalienáveis, e os mantém nas margens da sociedade, com menos oportunidades, profissionais ou pessoais. Lê-se, pois, como grave, diante da precária efetivação da educação no país, o desletramento.       É mister, portanto, que a educação, visando o letramento dos cidadãos, seja efetivada no Brasil com urgência. Para tanto, o Ministério da Educação - órgão do governo federal, deverá, em parceria com instituições de ensino, criar uma campanha nacional de incentivo à leitura chamado: “Brasil Alfabetizado”, que, por meio de uma oficina de leitura em horários flexíveis - manhã, tarde e noite-, principalmente nas regiões periféricas e marginalizadas, de maneira a garantir que todos os cidadãos possam participar, de tal modo que, em breve, o analfabetismo deixe de ser, como demonstram as estatísticas oficiais, factual no Brasil.