Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 21/12/2020
Em uma das fábulas de Esopo, conta-se que um pai desafiou cada filho a quebrar um graveto e todos conseguiram facilmente. Todavia, quando reunidos em um feixe, ninguém foi capaz de repetir o feito. Esse cenário serve de metáfora para compreender os desafios do processo de alfabetização no Brasil, já que lidam com o mesmo dilema entre individualismo e colaboração. Nesse sentido, contribui para esse quadro a permanência de uma mentalidade colonialista de exploração dos mais vulneráveis, uma vez que, apesar da independência, a mesma ganância permanece. Assim, entre os fatores que produzem esse problema educacional, destacam-se a falta de interesse governamental e a desvalorização dos professores.
Nesse contexto, é fundamental perceber que a negligência da classe política, aliada ao vício de ver o outro como uma oportunidade de obter vantagens, gera dificuldades para vencer o analfabetismo no país. Isso ocorre porque a inação dos administradores da nação nessa área provém da preferência por interesses partidários e negociações ilícitas, em detrimento das necessidades educacionais de letramento que não produzem uma visibilidade semelhante às obras faraônicas, nem votos, nem capital político. Esse paranorama assemelha-se ao antigo Império Romano que, em vez de educar, preferiu manipular o povo com a política do pão e circo do Coliseu. Desse modo, preservar analfabetismo estimula a exploração dos menos favorecidos, por mantê-los ignorantes de seus direitos.
Ademais, é fato que a falta de reconhecimento do professor, somado ao interesse de tirar proveito dos mais simples, promove entraves no ensino e aprendizagem da nação. De acordo com Marx, as coisas podem ter valor de uso ou valor de troca. Assim, a água possui valor de uso infinito, pois mantém a vida, e o diamante possui um valor de troca elevado. Segundo esse critério, professores são dignos de um nobre valor de uso, ao contribuir para o progresso humano, embora seu valor de troca seja baixo, no Brasil, por seus salários precários. Isso decorre porque o bem comum nunca foi uma meta e os poderosos tratam a pátria como uma colônia de exploração, o que prejudica a alfabetização.
Portanto, é evidente que a visão predatória da elite contra a população que carece de instrução básica, derivada do descaso dos gestores públicos e desprezo aos educadores, prejudica o processo de alfabetização no Brasil. Diante desse grave problema, cabe ao Governo Federal criar um Plano Nacional de Alfabetização, por meio de um decreto federativo, com a finalidade de dissipar os obstáculos que dificultam a formação da capacidade de ler e escrever do brasileiro. Além disso, é essencial que os políticos elevem a remuneração dos alfabetizadores e os ouçam, para superar essa problemática. Assim, como bem ensina Esopo, educar é um ato de amor e a união é o caminho.