Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No filme “Central do Brasil” o enredo mostra a realidade de uma ex-professora que se empenha em escrever cartas para pessoas analfabetas, que ditam o que querem dizer para suas famílias enquanto ela escreve. Sob essa ótica, percebe-se que, embora a ficção seja de 1998, o Brasil contemporâneo é marcado pelo analfabetismo em sua sociedade. Diante disso, faz-se necessário compreender como a desigualdade social e o preconceito acerca do esteriótipo de que é tarde para estudar, são fatores que contribuem com os desafios que dificultam o processo de alfabetização no Brasil.

Sob esse viés, evidencia-se como a desigualdade socioeconômica influencia na ruptura do andamento da alfabetização, principalmente das crianças e dos jovens. Nesse sentido, segundo o Índice de Gini - indicador que mede o grau de desigualdade no mundo - o Brasil está entre os 10 países mais desiguais mundialmente. Nessa perspectiva, compreende-se que a grande maioria das famílias brasileiras têm a necessidade de que seus filhos participem do somatório da renda familiar, pois a obtenção de alimentos, certamente, é mais importante para elas do que aprender a ler e escrever. Com isso, muitas crianças e jovens largam a escola para trabalhar, o que configura a situação de a desigualdade promover a evasão escolar e, consequentemente, a manutenção do analfabetismo.

Soma-se a isso o preconceito de que adultos e idosos não estão mais na fase de se alfabetizar e como isso contribui com os desafios no processo de alfabetização. Nesse viés, o Ministério da Educação (MEC) criou um aplicativo denominado “GraphoGame”, que tem o objetivo de servir como ferramenta para a alfabetização de crianças. Entretanto, por ser para criança, a didática não serve produtivamente para os adultos, o que corrobora com a vergonha desses indivíduos e consolida o esteriótipo de que não têm mais idade para estudar e se alfabetizar, pois não há esse tipo de ferramenta para eles. Dessa forma, o analfabetismo se torna mais expressivo, visto que, segundo o IBGE, mais de 11 milhões de pessoas no Brasil com mais de 15 anos são analfabetas e, com esse desestimulo, não há reversão dessa situação para essas milhões de pessoas.

Conclui-se, portanto, que o esteriótipo e a desigualdade devem ser solucionados para que o processo de alfabetização seja produtivo. Decerto, cabe ao MEC, em parceria com o Governo Federal, promover um novo aplicativo de alfabetização - com a mesma empresa e estratégia que criou o “GraphoGame” - dessa vez visando à alfabetização dos jovens e adultos, a fim de diminuir a ideia de que não podem mais aprender e então amenizar o analfabetismo. Além disso, as Ong’s devem promover aulões em comunidades carentes para atenuar os efeitos da desigualdade. Dessa maneira, quem sabe os brasileiroes enfim poderão escrever suas próprias cartas.