Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 19/12/2020
Na época da Ditadura Militar brasileira, decorrida de 1964 até 1985, o Brasil passou por um período particularmente complicado no que tange à educação. Fatores como a censura de professores e alunos, assim como o foco primordial na padronização dos estudantes, em detrimento à crítica social, tornou esse um dos cenários mais retrógrados em relação ao ensino brasileiro, refletindo inclusive nos baixos níveis de alfabetização da época. Porém, ainda hoje, se observam desafios semelhantes, destacando-se nesse contexto a busca na construção de interações mais salutares entre discente e docente, assim como a demanda por mais liberdade no exercício desta profissão.
Em primeiro lugar é importante salientar o papel que o educador tem na construção social e formação de novos cidadãos. Um grande defensor desta perspectiva foi o educador Paulo Freire, um dos maiores expoentes na reformulação do método de ensino brasileiro. Conforme o pensador, a construção do conhecimento seria um processo colaborativo entre professor e aluno, deixando para trás conceitos antiquados, como a hierarquia que existia na sala de aula até então. Tal abordagem, segundo ele, deve estar conectada ao cotidiano do estudante, levando em conta suas características e vivências pessoais para tornar o ensino mais efetivo e minimizar questões como o analfabetismo, que ainda se encontram prementes no território brasileiro.
Ademais, é essencial combater a censura que ainda paira nas escolas e na sociedade como um todo, mesmo após a redemocratização do país. John Locke, considerado o pai do iluminismo, argumentava contra a censura, ao enfatizar a relevância da liberdade de expressão para um país mais democrático e livre do autoritarismo. Neste mesmo mérito, instaurou-se a liberdade de cátedra, termo que garante a liberdade do educador de ensinar sem privações, e prioriza a pluralidade de ideias e do conhecimento dentro do espaço acadêmico e educacional. Sendo que, este é um termo essencial para uma melhor educação no Brasil, e que deve ser reiterado constantemente para impedir o cerceamento de ideias no ambiente escolar.
Em resumo, é tangível o papel que uma educação mais livre e democrática tem na obtenção de maiores níveis de alfabetização. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação, por meio de uma remodelação no programa educacional vigente, garanta a liberdade nas escolas, bem como relações mais eficazes entre professores e alunos, ao criar um lugar rico para a formação do conhecimento. Este ajuste deve ser realizado com um enfoque na construção do pensamento crítico, ao incentivar a criação de grupos de debates e construção de ideias. Só assim, impedir-se-á que o Brasil, mais uma vez, entre em um período sombrio para a educação, como foram aqueles presentes nos “anos de chumbo”.