Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 19/12/2020
Quando a côrte portuguesa veio para o território brasileiro em 1808, foram fundados os primeiros centros educacionais no Rio de Janeiro. Desde então, milhares de escolas foram abertas e formaram crianças e jovens. No entanto, a quantidade de salas de aula não é sinônimo de eficácia educacional, uma vez que o país enfrenta consideráveis desafios no que tange ao pleno processo de alfabetização. Nessa lógica, evidencia-se a situação precária de certas escolas e também a falha dos métodos de ensino, fatores que perpetuam a desigualdade social e a ineficiência da alfabetização no Brasil.
A princípio, é fundamental destacar que certos colégios, principalmente os localizados na periferia das grandes cidades, são expostos a um cenário violento que prejudica a aprendizagem. Nesse sentido, cabe citar o exemplo de Marcos Vinícius, menino baleado no Rio de Janeiro na saída da escola em 2019 e amplamente divulgado pela mídia. Dessa forma, essa situação de risco contribui para que muitos estudantes não aprendam direito ou deixem a escola por medo. Como consequência, essa conjuntura reitera a posição inferior dessas pessoas na dinâmica social. Com efeito, o filósofo Michel Foucault aponta que quem detém maior conhecimento, detém maior poder na sociedade. Logo, sem acesso à educação segura, os indivíduos acabam perpetuando sua inferioridade política e social.
Somado a isso, é notória a falha no processo educacional, a qual permite que jovens saiam da escola sem serem devidamente alfabetizados. Sob essa perspectiva, segundo o Instituto Nacional de Estudos em Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mais de 50% dos estudantes do último ano do Ensino Médio têm deficiência na leitura fluente e em conhecimentos de matérias básicas como matemática. Por conseguinte, tal dado demonstra que os métodos pedagógicos adotados são arcaicos e incapazes de prender a atenção dos alunos, que acabam não aprendendo com eficiência. Depreende-se, então, a necessidade de uma reforma nas diretrizes escolares, de forma a fazê-las condizentes com a modernidade tecnológica na qual os jovens estão inseridos.
Fica claro, portanto, que existem desafios a serem superados para que haja uma alfabetização satisfatória no Brasil. Por conta disso, o Ministério da Educação deve criar um método que garanta a segurança nos arredores das escolas das periferias, por meio da disponibilização de transporte específico para deixar as crianças em casa, a fim de evitar a exposição à violência desses locais. Ademais, o mesmo Ministério deve oferecer cursos aos docentes, nos quais serão apresentadas estratégias lúdicas de ensino mediante uso de computadores e até de celulares, com o objetivo de despertar o interesse dos jovens e aprimorar a aprendizagem. Assim, a trajetória educacional iniciada em 1808 será aperfeiçoada e estabelecida como pilar fundamental da sociedade.