Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 19/12/2020

O pedagogo Paulo Freire registrou que ”Não basta saber ler que ‘Eva viu a uva’. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” A análise aplica-se ao Brasil, na atualidade, onde larga parcela da população é analfabeta – ou analfabeta funcional – em decorrência da atenção insuficiente do Estado à educação básica. É imperativo, assim, que seja expandido um modelo de letramento que alfabetize criticamente – e que resgate a esperança de um país mais inclusivo.

Inicialmente, um dos maiores desafios é superar o alto índice de analfabetismo no país. Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - PNAD Contínua, em 2017, aproximadamente 12 milhões de pessoas com menos de 15 anos eram analfabetas – montante que extrapola o tamanho de toda a população de Portugal. Além disso, 30% dos letrados foram considerados analfabetos funcionais. Fato que é tão grave quanto o analfabetismo, apenas mais inquietante.

Por outro lado, acrescenta-se ao descaso do governo com a educação, o da população. O sociólogo Pierre Bourdieu (Teoria do Habitus), registra que a sociedade tende a reproduzir as estruturas sociais. Dessa forma, sem educação crítica, ela negligencia o acompanhamento da educação dos filhos em casa. Além disso, ela incorpora a ideia de que a educação é responsabilidade, exclusiva, dos governantes - acentuando o problema.

Por tudo isso, urge oferecer uma educação que alfabetize criticamente à população. Isso envolve que o Ministério da Educação elabore novos currículos, ao amparo da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), orientados à alfabetização instrumental que agregue o letramento articulado com a realidade social, inspirado no método de Paulo Freire. Dessa forma, com uma educação que alfabetize criticamente a população, os múltiplos sujeitos envolvidos: individuais, coletivos e institucionais deverão resgatar a verdadeira e legítima alfabetização cidadã, ampliando as responsabilidades humanas com as futuras gerações.